REUTERS/Sergio Perez
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Socialistas espanhóis dispensam apoio do restante da esquerda para governar

Após vitória nas eleições de domingo, aliados do primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, dizem que PSOE tentará se manter no poder sem apoio de coalizão formal, mas analistas acreditam que partido precisará negociar alianças

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2019 | 11h37
Atualizado 29 de abril de 2019 | 21h22

MADRI - Após uma vitória nas eleições gerais da Espanha, no domingo, líderes do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) disseram nesta segunda-feira, 29, que vão tentar governar sem uma coalizão formal. Os socialistas conquistaram maioria absoluta no Senado, mas obtiveram 123 cadeiras na Câmara, a maior bancada, mas longe da maioria de 176 das 350 cadeiras. Analistas dizem que o partido precisará se esforçar para fazer alianças.

O líder da legenda e atual primeiro-ministro, Pedro Sánchez, já começou a negociar a formação do governo para ser reconduzido ao posto, o que não deve acontecer antes de maio. Em entrevista à rede SER, a vice-primeira-ministra da Espanha, Carmen Calvo, destacou que os socialistas querem “conversar com todo mundo, mas governar com as próprias forças”.

“O PSOE tentará um governo solitário”, afirmou. “Tentaremos porque acreditamos, como partido e como governo, que em um curto espaço de tempo as pessoas nos entenderam muito bem. Somos o socialismo que gosta de governar para mudar as coisas. Governamos com 85 cadeiras, derrubando a direita com a Constituição na mão para demonstrar que a política tem de servir à realidade.”

Apesar do otimismo, analistas afirmam que os socialistas terão dificuldade para governar sem uma coalizão. “A ideia de formar pequenas coalizões pode até funcionar, mas não será suficiente para governar por quatro anos e enfrentar questões complexas, como imigração e reformas econômicas. Diante desses momentos em que precisará de uma votação mais expressiva, o PSOE terá problemas”, afirma o professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Nacional de Madri, Jaime Pastor Verdú. 

Além da oposição feroz que vai enfrentar, os tipos de alianças possíveis podem trazer problemas para o PSOE. “A situação não é tão fácil quanto parece. Se fizer um acordo com o Podemos, dependerá de apoio suplementar de partidos nanicos, nacionalistas entre eles, o que vai aumentar a gritaria da direita sobre uma ‘destruição da unidade espanhola’”.

No ano passado, o PSOE chegou ao poder após conseguir apoio do centrista Ciudadanos e dos radicais de esquerda do Podemos. Mas a relação entre os partidos ficou estremecida. Albert Rivera, líder do Ciudadanos, terceira força nacional, que conquistou 57 assentos, se colocou na oposição logo após a queda do ex-premiê Mariano Rajoy (PP), mirando justamente uma vitória nas eleições. 

Já o Podemos, que também abandonou o barco dos socialistas durante o governo, até acenou com uma articulação para formar uma coalizão, mas o PSOE afirma querer governar sozinho. Mesmo que a aliança se concretize, o Podemos foi reduzido a 42 cadeiras, ante as 67 que detinha, e a soma das duas bancadas ficaria a 11 assentos da maioria absoluta.

A Esquerda Republicana da Catalunha, que conquistou 15 cadeiras e defende a independência da região, anunciou que apoiaria Sánchez sem pedir nada em troca (nem mesmo a realização de um plebiscito de autodeterminação). / AFP, REUTERS e EFE 

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