Socialistas negociam aliança com centro-direita espanhola

PSOE e Ciudadanos fecham acordo para formar governo caso primeiro-ministro tenha de renunciar

Andrei Netto, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

24 de dezembro de 2015 | 16h58

O secretário-geral do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), Pedro Sánchez, e o presidente do partido de centro-direita Ciudadanos, Albert Rivera, fecharam nesta quinta-feira, 24, um acordo para evitar a convocação de novas eleições caso o primeiro-ministro Mariano Rajoy não seja capaz de formar um novo governo até o dia 13 e renuncie.

Nesse caso, caberá a Sánchez tentar formar uma coalizão de esquerda para assumir a chefia do governo. O entendimento foi selado em um telefonema entre os dois, no momento em que crescem as chances de que uma coalizão progressista seja formada para substituir o governo do Partido Popular (PP).

Rajoy venceu as eleições de domingo com 28,7% dos votos e elegeu apenas 123 deputados, longe da maioria de 176 assentos necessários para a formação de um governo. Em segundo lugar ficou Pedro Sánchez, do PSOE, com 22,02% e 90 deputados.

Ainda que Rajoy tenha o direito constitucional de continuar negociando até o dia 13, quando o Parlamento se reunirá para dar aval ou não a seu governo de minoria, os demais chefes de partidos já começam a se movimentar em diálogos paralelos.

O Ciudadanos não é contra a hipótese de que o PSOE chegue ao poder, mas não aceita a eventual aliança entre os socialistas o partido radical de esquerda Podemos, liderado por Pablo Iglesias. Isso porque Iglesias defende um referendo sobre a independência da Catalunha – o que poderia resultar na secessão da Espanha, algo que o Ciudadanos rejeita.

Por outro lado, Iglesias deu a entender hoje que uma coalizão de esquerda com o PSOE é possível. Nesse caso, o Podemos estaria disposto a abrir mão da realização do referendo na Catalunha, com o qual Sánchez não concorda. Para o líder do Podemos, a condição de uma aliança com o PSOE seria a aprovação de uma “lei de emergência social”, com o objetivo “de resgatar as famílias espanholas que estão sofrendo”.

A legislação teria três pontos: uma lei proibindo os despejos forçados de mutuários que não conseguirem honrar seus empréstimos; a proibição do corte de eletricidade e água em caso de desemprego; e a anulação do Decreto-lei 16/2012, que cancelou a gratuidade de certos medicamentos. As três condições constam de uma carta escrita por Iglesias na qual ele admite a perspectiva de integrar um governo de coalizão.

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