Socialistas perdem eleição local na França

Derrota em votação municipal aprofunda crise no governo de Hollande, que deve anunciar hoje mudança no gabinete; partido de Sarkozy sai fortalecido

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2014 | 02h07

O Partido Socialista (PS), maior da base de sustentação ao presidente da França, François Hollande, sofreu uma ampla derrota nas eleições municipais de ontem. Em um dia de abstenção recorde, de cerca de 38,5% - a maior desde 1954 -, a grande vencedora foi a União por um Movimento Popular (UMP), partido do ex-presidente Nicolas Sarkozy. O resultado deve levar hoje à demissão do primeiro-ministro, Jean-Marc Ayrault, e a uma reforma de gabinete.

Os resultados do segundo turno ainda estavam sendo contabilizados no fim da noite de ontem, mas o significado não mudaria mais. Eles indicavam que os partidos de direita somariam 45% dos votos em cidades de mais de mil habitantes, contra 43% do PS e 7% da Frente Nacional e demais partidos de extrema direita. A tendência era que a UMP conquistasse entre 80 e 100 novas cidades, segundo prognósticos do jornal Le Monde e do instituto de pesquisas Ipsos/Steria.

Seis municípios de mais de 100 mil habitantes passaram às mãos de prefeitos de direita: Toulouse - bastião histórico do PS -, Saint-Etienne, Angers, Reims, Amiens e Caen. Entre as metrópoles, Marselha se mantém à direita, com a reeleição de Jean-Claude Gaudin. "Trata-se da primeira grande vitória eleitoral em uma eleição local desde a criação do partido", comemorou o presidente da UMP, Jean-François Copé, referindo-se aos últimos 12 anos.

Os socialistas conseguiram conservar Paris, Lille, Estrasburgo e Dijon. A mais importante, claro, foi a vitória da atual vice-prefeita da capital, Anne Hidalgo, nascida na Espanha, mas criada na França. Anne superou sua adversária, Nathalie Kosciusko-Morizet (UMP), por 53,5% a 46,5%, segundo estimativas, e substituirá Bertrand Delanoe.

Terceira força. Outra constatação das eleições municipais foi o retorno do grupo de centro, que, representado pela União de Democratas e Independentes (UDI) e pelo Movimento Democrático (MoDem), tornou-se a terceira força política do país.

A Frente Nacional (FN), maior partido de extrema direita, confirmou seu crescimento, mas também suas dificuldades de crescer no cenário nacional. O partido comandado por Marine Le Pen conquistou pelo menos dez cidades, todas de pequeno porte. Ignorando os partidos de centro, que chegaram à frente do seu, Le Pen comemorou o resultado: "Será necessário contar com uma terceira grande força política em nosso país", disse ela. De acordo com a rádio RTL, a reforma deve ser anunciada hoje. O favorito para assumir como novo premiê é o ministro do Interior, Manuel Valls.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.