REUTERS/Sergio Perez
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Socialistas querem impedir posse de Rajoy na Espanha

Líder do PSOE, Pedro Sánchez, diz que seu  partido não cederá seu apoio e é alternativa a impasse político no país

Andrei Netto  CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S. Paulo

19 Agosto 2016 | 17h14

O líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), Pedro Sánchez, descartou nesta sexta-feira, 19, a possibilidade de que sua legenda venha a votar contra a recondução do atual primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, à chefia do governo. 

O anúncio foi um banho de água fria na expectativa de que o país possa superar nos próximos dias o impasse político que se estende desde 20 de dezembro, resultado das primeiras eleições que abalaram o bipartidarismo dominante desde os anos 80. Mas o socialista enfrenta pressões internas para ceder.

Sánchez se transformou no centro das discussões políticas na Espanha desde que Rajoy selou, na quinta-feira, um acordo com o líder do partido centrista Ciudadanos, Albert Rivera. Com isso, ele reuniu assim 169 votos no Parlamento. Para obter uma maioria absoluta, de 176 assentos, o premiê precisa de 7 votos a favor de sua posse, ou de 13 abstenções entre parlamentares de oposição para ser confirmado no cargo, que ele executa de forma interina desde dezembro.

Em Ibiza, Sánchez partiu para o confronto com Rajoy e afirmou que o PSOE é uma alternativa de governo, não um apoio potencial ao atual gabinete do Partido Popular, liderado pelo premiê. Segundo o socialista, se Rajoy ainda não conseguiu formar um novo governo é porque não tem apoio político suficiente, consequência de sua política econômica. “Não seremos cúmplices da corrupção, nem da precariedade, nem do desemprego.”

Pressão. Sánchez, porém, sofre pressões internas para que seus parlamentares se abstenham e permitam a posse de Rajoy, o que encerraria a crise política espanhola. 

Um dos líderes socialistas que apoia essa postura é o ex-premiê Felipe González. “Rajoy tem de seguir negociando com aliados potenciais. Um deles é o Ciudadanos, mas eu lembro que com isso ele não chega à posse. Tem de seguir negociando”, disse.

Na quinta-feira, Rajoy ameaçou Sánchez de convocar novas eleições, a terceira em sequência, fixando a data para 25 de dezembro, dia de Natal, caso não consiga formar um governo. Com isso, o país completaria um ano de indecisão. 

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