Socialistas tentam ganhar sobrevida com votação

Decisão de antecipar eleição coincide com subida nas pesquisas de novo homem forte do PS, Alfredo Rubalcaba

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2011 | 00h00

A decisão do governo da Espanha de antecipar as eleições coincide com a subida do candidato do Partido Socialista, Alfredo Rubalcaba, nas pesquisas de opinião - pela primeira vez, ameaçando o candidato do Partido Popular, Mariano Rajoy. Dentro do Partido Socialista, a estratégia é clara: dissolver o governo na esperança justamente de se renovar e manter o poder.

Ontem, Rubalcaba garantiu não ter solicitado a Zapatero a antecipação da votação. Mas se apressou em indicar o esboço de seu plano de governo. "Estamos iniciando uma nova era política", disse, tentando se distanciar de Zapatero.

Ele propõe criar uma espécie de união nacional. "Muitos espanhóis estão dispostos a aderir a um projeto comum para sair da crise", disse. Em seu programa, ele prometerá criar empregos, recuperar a economia e aumentar a transparência política - como exigem os jovens nas ruas.

Zapatero tentou argumentar que a antecipação ocorria porque as bases da recuperação econômica já haviam sido estabelecidas. Segundo ele, o desemprego caiu, privatizações estão sendo organizadas e as exportações voltaram a crescer. "O caminho está claro", disse. "Por isso chegou o momento de indicar um calendário eleitoral", completou.

Reação. Alguns dos principais empresários espanhóis aplaudiram a decisão de ontem, na esperança de que um novo governo dê mais garantias ao mercado. "Essa é uma boa notícia", afirmou Francisco González, presidente do BBVA. "A Espanha precisa de um governo forte que tome decisões capazes de colocá-la entre os países mais importantes da Europa", disse.

No mercado financeiro, a Espanha é tida como "a bola da vez" na crise da dívida europeia. Horas antes do anúncio de Zapatero, seu governo recebeu outro duro golpe. A agência Moody"s ameaçou rebaixar a classificação de risco da Espanha e de algumas províncias, em um sinal de que não confiava na capacidade de Madri de pagar suas dívidas.

Mesmo com o anúncio de Zapatero, a Bolsa de Madri fechou em baixa e o risco país subiu. Para a Moody"s, a decisão do governo não resolverá o clima de incerteza.

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