Sociedade civil de Israel busca paz por meio de acordo paralelo

Iniciativa de intelectuais, acadêmicos e diplomatas inclui entrega das Colinas do Golan à Síria e acordo de paz com Damasco

GUILHERME RUSSO, ENVIADO ESPECIAL / JERUSALÉM, O Estado de S.Paulo

20 Setembro 2011 | 06h05

Há pouco mais de dois anos, intelectuais, empresários, artistas, ex-integrantes de forças de segurança e espionagem, políticos e diplomatas israelenses aposentados buscam influenciar a opinião pública do país para que uma solução do conflito com os palestinos seja encontrada por meio de negociações que envolvam países árabes e ocidentais.

A Iniciativa de Paz Israelense (IPI) foi concluída em março. Teve como base a proposta da Liga Árabe, de 2002, que foi ignorada pelo governo israelense. O empresário Koby Huberman elaborou o plano juntamente com Yuval Rabin, filho do ex-premiê Yitzhak Rabin - assassinado em 1995. Ao todo, 115 figuras proeminentes de Israel assinaram a IPI.

Afinado com Tel-Aviv e Washington, Huberman disse acreditar que o Estado palestino deva obter sua independência em negociações diretas, com a colaboração da comunidade internacional, e não pelo reconhecimento na ONU. Otimista, ele disse que a iniciativa "unilateral" palestina é "o início de um novo processo, não uma catástrofe", como Israel e EUA consideram.

"Se a proposta dos palestinos prevalecer, uma nova abordagem regional terá de ser tomada", disse Huberman. Segundo ele, a IPI mantém contato com membros da sociedade civil de 15 dos principais países árabes.

A IPI, assim como a proposta palestina, garante as fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias, em 1967. Trocas de territórios, porém, devem ser consideradas. Entre as medidas está a devolução à Síria das Colinas do Golan - tomadas por Israel em 1967. Essa proposta pretende estabelecer um acordo de paz com Damasco, que, oficialmente, ainda está em guerra com Israel.

Outra medida controvertida é a criação de um Estado palestino desmilitarizado. "Os palestinos precisam de uma polícia forte, que vigie suas fronteiras", disse. A IPI pede ainda que a fronteira com o Líbano, nunca estabelecida oficialmente, respeite a Linha Azul, determinada pela ONU em 2000. "Nosso objetivo é usar ideias criativas, para pensar de maneira diferente sobre as propostas e obter novas perspectivas", concluiu Huberman.

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