Socorristas buscam 300 soterrados na China

Más condições do tempo e altitude de 4 mil metros na Província de Qinghai dificultam os trabalhos de resgate das vítimas do terremoto de quarta-feira

Cláudia Trevisan, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2010 | 00h00

Cerca de 300 pessoas continuavam soterradas na noite de ontem na província chinesa de Qinghai, sob os escombros de 15 mil casas que ruíram durante o terremoto de 7,1 graus na escala Richter de quarta-feira, que deixou pelo menos 617 mortos.

O tremor deixou 80 mil desabrigados, que ontem enfrentaram a segunda noite de temperaturas negativas, que se tornavam mais agudas por causa do vento forte e da queda de granizo.

Até a noite de ontem, mil pessoas haviam sido retiradas vivas dos escombros, em operações realizadas em condições difíceis. Muitos dos envolvidos nos resgates passaram mal por causa da altitude de 4 mil metros de Yushu - o epicentro do terremoto -, o que tornava ainda mais lenta a localização de sobreviventes. "Muitos integrantes das equipes de resgate estão sofrendo em graus distintos com mal-estar provocado pela altitude. A eficácia e a habilidade dos cães farejadores também foram afetadas", disse o vice-diretor da Administração de Terremotos da China, Miao Chonggan, em entrevista em Pequim.

De acordo com o governo, o tremor deixou 9.110 feridos, 900 dos quais em estado grave. Desse grupo, 450 foram retirados de Yushu, onde os hospitais estão sobrecarregados e não têm estrutura para tratar de todas as vítimas. Cem dos feridos graves foram levados de avião para Chengdu, capital da província vizinha de Sichuan, e outros 350 foram transportados por terra para a capital de Qinghai, Xining, que fica a 800 km de distância.

"Os corpos estão empilhados como uma montanha. Há corpos com braços e pernas quebradas, é de cortar o coração", disse Dawa Cairen, voluntário do grupo cristão Amity Foundation, à Associated Press. Segundo autoridades locais, não há pessoas suficientes para enterrar os mortos, pois os esforços estão concentrados na busca de sobreviventes. Dez mil soldados, policiais, bombeiros, médicos e enfermeiras estavam ontem em Yushu participando das operações de resgate e atendimento das vítimas.

A retirada de estudantes dos escombros continuava a ser uma das prioridades. Só na Escola Primária N.º 3 poderia haver 200 alunos soterrados, acredita seu diretor, Nima Jiangcai. A escola tem 3 mil estudantes e 80% do prédio desabou.

Até ontem, as cifras oficiais indicavam que 66 estudantes e 10 professores morreram nos desmoronamentos de escolas.

À tarde, o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, esteve em Yushu, onde visitou pessoas afetadas pelo terremoto e observou as operações de resgate. O premiê partiu no início da noite.

A área afetada pelo terremoto fica em montanhas de difícil acesso, nas proximidades da fronteira com o Tibete. É uma região extremamente pobre, com infraestrutura precária. A viagem da capital, Xining, onde está o principal aeroporto de Qinghai, até Yushu leva no mínimo 12 horas.

Grande parte das estradas da região foi danificada pelo tremor, o que atrasou o envio de suprimentos para as vítimas. O diretor em Yushu da ONG Snowland Service Group, Pierre Deve, disse que os estoques de comida, água, gasolina e itens de primeira necessidade estão cada vez mais baixos, com a maioria das lojas da região fechadas.

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