REUTERS/Edgard Garrido
REUTERS/Edgard Garrido

Marinha mexicana desmente busca por menina em escombros de escola

Depois de dois dias de procura desesperada por criança que estaria presa nos restos da escola Enrique Rébsamen, no sul da Cidade do México, subsecretário da Marinha, Ángel Enrique Sarmiento, diz que não há nenhum menor vivo no local

O Estado de S.Paulo

21 Setembro 2017 | 09h29
Atualizado 21 Setembro 2017 | 17h43

CIDADE DO MÉXICO - Depois de dois dias de uma busca desesperada por uma menina que supostamente estaria entre os escombros da escola Enrique Rébsamen, destruída pelo terremoto que sacudiu o México na terça-feira, a Marinha garantiu nesta quinta-feira, 21, que não há nenhuma criança viva no local. As autoridades informaram, no entanto, que um adulto - que seria funcionário da administração local - poderia estar vivo e soterrado no prédio.

"Temos segurança (em afirmar) que todas as crianças ou infelizmente morreram, ou estão nos hospitais, ou estão a salvo em suas casas", disse o subsecretário da Marinha, Ángel Enrique Sarmiento, explicando que as autoridades municipais de educação e a direção da escola fizeram uma contagem dos alunos já resgatados ou identificados entre as vítimas. "Foram resgatados 11 menores com vida e temos um total de 19 crianças e 6 adultos que morreram."

Sarmiento informou que por volta das 5 horas desta quinta as equipes de resgate conseguiram retirar o corpo de uma mulher dos escombros da escola, mas ela já estava morta. Ele garantiu que as equipes de resgate nunca tiveram conhecimento da existência de uma menor viva. "Nunca tivemos conhecimento desta versão e não acreditamos nela. Temos certeza que não foi uma realidade", afirmou.

A suposta visualização pelos socorristas dos dedos de uma criança que estaria se movendo nas primeiras horas da quarta-feira se transformou em símbolo de esperança e fez centenas de pessoas trabalharem freneticamente no imóvel destruído na Cidade do México. Nem a chuva ou a noite interromperam as tentativas de resgate.

Na manhã desta quinta, centenas de autoridades e voluntários continuavam com os esforços na escola Enrique Rébsamen, localizada no sul da capital mexicana, sob olhares atentos de muitos jornalistas. A esperança de um milagre, no entanto, diminuía a cada minuto que se passava desde o desabamento.

Contradições 

De acordo com a imprensa mexicana e com as agências internacionais de notícias, mais de uma centena de socorristas e militares mexicanos dedicavam seus esforços desde terça-feira para localizar crianças com vida nesta escola.

O almirante José Luis Vergara, que coordenava o resgate no local, chegou a afirmar à emissora Televisa que os socorristas "sabiam que havia uma menina com vida no interior da escola destruída". "O que não sabemos é como chegar até ela (...) sem risco de colapso das estruturas e sem que os socorristas sejam colocados em perigo", disse Vergara.

O militar informou que as equipes de resgate tinham conseguido falar rapidamente com a menor e enviaram água e oxigênio para ela. "Estou muito cansada", teria dito a jovem, segundo Vergara.

Além disso, horas antes, socorristas disseram de forma anônima que tinham visto cinco crianças com vida em meio aos escombros, enquanto outros afirmavam que com o uso de scanners térmicos tinham detectado ao menos três corpos com vida. 

A imprensa mexicana chegou a dizer que a menina se chamaria Frida Sofía, mas esta informação nunca foi confirmada pelas autoridades. Além disso, nenhum parente estava procurando por uma criança com este nome entre os desaparecidos ou mortos na escola.

Operação cirúrgica

A remoção de escombros na escola Enrique Rebsámen era feita com precisão quase cirúrgica. Postes metálicos foram colocados cuidadosamente para sustentar a construção de dois pisos que, após o tremor, ficou comprimida em apenas um andar.

Por várias vezes os socorristas levantaram seus braços, repetindo o sinal, popularizado nos resgates na Cidade do México, para pedir silêncio. Todos concentravam sua audição para tentar escutar um mínimo sinal de vida ou se comunicar com as equipes de resgate que entravam parcialmente nos escombros.

Em alguns momentos, o silêncio se prolongou por até meia hora. Todos permaneciam atentos e imóveis, mas esperançosos. Alguns sussurravam entre si. "Estamos trabalhando com a ajuda de câmeras térmicas e unidades caninas. Em alguns momentos, ficamos em silêncio absoluto para escutar os sobreviventes. Eles muitas vezes gritam ou golpeiam paredes", disse Pamela Díaz, uma padeira de 34 anos que desde terça-feira ajuda como voluntária no resgate. / AP e AFP

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