'Sofremos uma derrota amarga', diz chanceler alemã

A chanceler alemã, Angela Merkel, reconheceu hoje a derrota de seu governo, ontem, na eleição regional na Renânia do Norte-Westfalia, o Estado mais populoso do país. O revés da coalização governista custou ainda a maioria no Bundesrat (Câmara Alta). "Não há meias palavras para isso. Nós sofremos uma derrota amarga", disse.

AE-AP, Agência Estado

10 Maio 2010 | 11h02

A União Democrata Cristã (CDU), de Merkel, obteve 34,6% dos votos, dez pontos a menos que nas eleições de cinco anos atrás. É o pior resultado do CDU na Renânia do Norte-Westfalia desde a Segunda Guerra. O Partido Liberal Democrata (FDP), também membro da coalizão federal, ficou com 6,7% dos votos, segundo os resultados finais.

O Partido Social Democrata (SDP) ficou com 34,5%, enquanto o Partido Verde obteve 12,1%. A Esquerda levou 5,6% dos votos. Ainda não está claro quem deve governar o Estado, nem se o conservador Juergen Ruettgers conseguirá se manter como governador na capital estadual, Dusseldorf.

Merkel agora deve ter mais dificuldades para governar, sem a maioria no Bundesrat. A Casa representa os 16 Estados alemães e precisa aprovar as alterações na legislação mais importante. O ex-ministro das Relações Exteriores Frank-Walter Steinmeier, do SDP, disse hoje à emissora n-tv que a chanceler deve aprender com a derrota estadual. Segundo ele, agora o governo federal não poderá simplesmente aprovar seus planos sem negociação.

A coalizão de Merkel planejava cortar impostos e reformar o sistema de saúde alemão. Esses projetos podem ser atrasados ou mesmo bloqueados pela Câmara Alta. Segundo Merkel, os cortes de impostos não devem ser aprovados, ao menos pelos próximos dois anos. "Consolidar o orçamento (da própria Alemanha) será a prioridade."

A disputa, ontem, foi o primeiro teste nas urnas para Merkel desde que ela assumiu seu segundo governo, com uma nova coalizão, mais próxima da direita, em outubro. "Muitas disputas eram inevitáveis", afirmou a chanceler, referindo-se aos primeiros meses de sua nova coalizão federal.

Pode ter tido algum peso na decisão dos eleitores o impopular pacote de ajuda à Grécia, aprovado na semana passada pelo Legislativo alemão. O texto aprovado prevê que a Alemanha empreste até 22,4 bilhões de euros em até três anos a fim de que os gregos reequilibrem suas finanças.

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