Solana diz que Israel deve dialogar com a Síria

O alto representante de Política Externa e de Segurança da UE, Javier Solana, opina que "alguém" emIsrael deveria responder às propostas de diálogo da Síria, embora oprimeiro-ministro, Ehud Olmert, se recuse a negociar com o paísVizinho. Em entrevista ao jornal The Jerusalem Post, Solana, que visitouIsrael esta semana, reconheceu que o presidente sírio, Basharal-Assad, ainda não deu passos concretos. Mas opinou que suas"aberturas em direção à paz" deveriam ser levadas em consideração eque Israel deveria experimentar a opção do diálogo. "Não acho que o primeiro-ministro deva tomar a iniciativa, masalguém em Israel deveria dialogar", disse. Sobre o programa nuclear do Irã, Solana afirmou que o caso aindanão chegou ao nível de alerta vermelho. Ele afirmou que qualquersolução diplomática é melhor que "soluções mais drásticas". Na entrevista, Solana fala também do movimento Hamas, que governaa Autoridade Nacional Palestina (ANP). Ele disse que o objetivo dogrupo "não é destruir Israel, e sim libertar ao povo palestino". Solana afirmou que o Hamas pode acabar mudando e reconhecendo oEstado de Israel. "A história nos mostra que os povos e as nações se adaptam àrealidade", comentou Solana. O fato de o Hamas ser um partido religioso não impede o otimismo,acrescentou o alto representante da UE. Ele opinou que "osimperativos religiosos não podem levar alguém a querer destruir umpaís", porque isso seria "um abuso da religião". As respostas de Israel e sua ênfase na segurança às vezes podemser contraproducentes, alertou Solana. Ele deu como exemplo oscontroles na passagem fronteiriça de Rafa, entre Gaza e Egito, e omuro na divisa com os territórios palestinos. Respondendo ao argumento de que o muro teria salvo centenas devidas, Solana disse que havia outras opções e que a muralha deveriater sido construída sem cortar as terras palestinas. O diplomata se reuniu com Avigdor Lieberman, o dirigenteultranacionalista que Olmert pensa em convidar para seu Gabinete."Suas posições estão muito afastadas das adotadas pelos líderesclássicos de Israel", comentou.

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