Solana diz que UE estuda impor sanções contra o Irã

O líder da política externa da União Européia (UE), Javier Solana, recomendou nesta segunda-feira que o bloco pense em fazer sanções contra o Irã, incluindo o veto dos passaportes de alguns líderes políticos e autoridades que cuidam da parte nuclear, caso Teerã recuse a cooperar com as Nações Unidas à respeito de seu programa nuclear. Solana, entretanto, descartou o uso da "força", afirmando a repórteres na sua chegada à reunião de ministros da UE que "qualquer ação militar está, definitivamente, fora de questão para nós". Mas os 25 membros da UE irão considerar, formalmente, a suspensão das negociações de um acordo de livre comércio com Teerã, e a ajuda de fundos para reformas no Irã, disse Solana em uma nota apresentada aos ministros da UE as opções para o caso iraniano. Diplomatas do bloco dizem que as discussões devem incluir o embargo de armas e o aumento do controle sobre a exportação de tecnologias que podem ser utilizadas para desenvolver armas nucleares. O ministro do exterior da Dinamarca, Ben Bot, disse que a UE deve procurar "fortalecer seu laços" com grupos não-governamentais, e com a população iraniana em geral "através das redes de TV nacionais ou qualquer outro meio". Cuidados Qualquer medida que a UE tomar para pressionar política ou economicamente o Irã está longe de ser garantia de sucesso, já que muitas empresas baseadas na UE continuam a investir bilhões de dólares na economia do Irã, ainda mais no setor energético. Autoridades e diplomatas alertaram a UE sobre os cuidados que devem ser tomados antes da tomada de decisão. Muitos pediram para o bloco esperar os movimentos da ONU, Washington e Moscou. A UE irá esperar que resposta que será dada pelo Irã em relação à exigência do Conselho de Segurança para que Teerã pare, imediatamente, com seu programa nuclear, disse Solana. No dia 29 de março, as Nações Unidas exigiram que o Irã suspendesse o enriquecimento de urânio e pediu que a agência atômica da ONU mandasse um relatório dos passos de Teerã dentro de 30 dias. "As sanções serão consideradas dependendo da decisão do Conselho de Segurança, mas esperamos que não seja necessário chegar a esse ponto", disse o secretário de política exterior britânico, Jack Straw, que afirma que o objetivo da UE é trabalhar na "base da contenção". Straw afirmou também que a UE irá "garantir os direitos do Irã" de desenvolver uma tecnologia nuclear para uso civil. Irã X UE As relações do Irã com o bloco europeu pioraram no último ano depois que negociações com a França, Alemanha e Grã-Bretanha foram desestabilizadas. Teerã rejeitou um pacote de incentivos políticos e econômicos que foram oferecidos em troca da desistência permanente de seu programa nuclear, que já havia sido suspendido voluntariamente em 2004. A discussão desta segunda-feira acontece logo após a divulgação de reportagens afirmando que Washington estaria estudando a possibilidade de agir militarmente contra o Irã caso as negociações falhem. Ainda nesta segunda-feira, o presidente George W. Bush falou que esses comentários são "especulações descabidas" e disse que o uso da força não será necessário. Já o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, disse nesta segunda-feira que seu país não deve se assustar com essas ameaças. Teerã insiste que seu programa nuclear tem finalidade pacífica.

Agencia Estado,

10 Abril 2006 | 15h56

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.