Solana mantém contato aberto com negociador nuclear do Irã

O chefe de Relações Exteriores da União Européia, Javier Solana, debateu perspectivas para as negociações sobre o programa nuclear do Irã com o negociador iraniano, Ali Larijani, em conversa por telefone pouco depois da libertação dos 15 britânicos capturados no Golfo Pérsico, disse nesta quinta-feira, 5, uma autoridade da UE. Ele disse que Solana levantou o tema da detenção dos marinheiros britânicos, cuja libertação ainda não havia sido anunciada no momento da conversa, além do impasse sobre o enriquecimento de urânio pelo Irã, que o Ocidente acredita ser destinado a produzir armas nucleares. "O conteúdo é confidencial, mas posso dizer que eles debateram o tema nuclear e a possibilidade de volta das negociações", disse a autoridade, acrescentando que os contatos continuam abertos e que é provável outro telefonema em breve. A autoridade rejeitou qualquer idéia sobre uma negociação para a libertação dos marinheiros em troca da retomada das negociações nucleares, que a ONU condiciona à suspensão das atividades nucleares sensíveis do Irã, incluindo o enriquecimento. Ele disse que o canal de comunicação de Solana com Larijani, que é secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, não foi cortado, mesmo depois que o Irã rejeitou o pacote de incentivos do Ocidente para suspender o enriquecimento, no ano passado. Autoridades da UE estão observando se a crise dos marinheiros reforçou a posição de Larijani, considerado um pragmático e mais disposto a explorar uma negociação com o Ocidente do que o presidente linha dura, Mahmoud Ahmadinejad. A Alemanha, que exerce a presidência da UE, saudou a libertação dos britânicos em comunicado relacionando o caso a outras disputas entre Teerã e o Ocidente. "A presidência espera que o Irã use esta oportunidade para encontrar soluções para outros temas na cooperação com a comunidade internacional e com a União Européia." "Isso aplica-se particularmente à proposta dos ministros do exterior da China, da Alemanha, da França, da Grã-Bretanha, da Rússia e dos Estados Unidos de resolver a controvérsia a respeito do programa nuclear do Irã através do diálogo e de negociações", disse.

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