Solana vê vontade política no processo de paz do Oriente

O alto representante para Política Externa e Segurança Comum da União Européia (UE), Javier Solana, disse neste domingo, ao fim de sua visita ao Oriente Médio, que sente "que hávontade política em todas as partes de criar um novo horizonte político para o processo de paz". Em entrevista à imprensa em Jerusalém após visitar Israel, os territórios palestinos, a Jordânia e o Egito, Solana afirmou que não podia especificar, mas que suas conversas com "muitas pessoas" interessadas no processo o faziam crer que pode estar diante de umnovo começo. Solana reuniu-se neste domingo em Jerusalém com o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, e com a ministra das Relações Exteriores israelense, Tzipi Livni, após visitar Amã, onde nesta manhã sereuniu com o rei da Jordânia, Abdullah II. De acordo com Solana, a recente reunião entre o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, e o primeiro-ministro israelense pode "significar o começo de negociações que podem se tornar um novo impulso político". O alto representante acredita que é necessário "definir os períodos finais da negociação" e ser mais claro para encorajar as duas partes em disputa a avançar. A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, que na semana passada também visitou a região, já havia ressaltado que era necessário delinear um horizonte político, além das negociações sobre os problemas cotidianos, para dar perspectiva a uma negociação com base na solução de dois Estados. Solana acrescentou que o objetivo de sua viagem não era "impulsionar nenhuma decisão específica", mas "criar um clima" favorável. O alto representante reiterou que tem muitas esperanças na reunião do Quarteto de Madri (ONU, Estados Unidos, UE e Rússia) que acontecerá em 2 de fevereiro, em Washington. No encontro, os participantes deverão trocar idéias sobre as visitas feitas recentemente à região e, provavelmente, farão uma declaração que poderá significar um impulso. No dia 25 ou 26 deste mês, Solana se reunirá com Rice, que, em sua recente visita à região, organizou um encontro trilateral com Abbas e Olmert. O responsável da política externa européia acrescentou que, embora a comunidade internacional, os países da região ou a UE possam "acompanhar e ajudar no processo de paz", a responsabilidade é dos palestinos e israelenses, que "devem resolver o problema". Sobre se os problemas internos, tanto de Abbas como de Olmert, poderiam ser um obstáculo ao novo impulso, Solana respondeu que, para ele, o importante é que são dois governos moderados com "vontade de avançar". "É verdade que houve problemas em ambos os governos, mas não acho que sejam insuperáveis", afirmou o alto representante da UE. Durante sua reunião com o presidente da ANP na sexta-feira na cidade de Ramala, na Cisjordânia, Solana disse que a próxima reunião do Quarteto de Madri será "o impulso mais importante para o processoque pode começar". Solana visitou no sábado algumas localidades palestinas da Cisjordânia, próximas a Israel, e percorreu o muro de separação. Após a visita, segundo a imprensa israelense, o alto representante da UE disse que os assentamentos e a muralha podem ser obstáculos para o processo de paz.

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