Soldado admite colaboração com WikiLeaks

Preso desde 2010, Bradley Manning declara-se culpado de 10 dos 22 crimes de que é acusado nos EUA

GUSTAVO CHACRA , CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

01 de março de 2013 | 02h04

O soldado americano Bradley Manning confessou ontem, em um tribunal militar, ser culpado de ter passado informações secretas para o site WikiLeaks, que posteriormente as divulgou para todo o mundo em parceria com uma série de jornais, incluindo o New York Times. Manning declarou-se culpado de 10 das 22 acusações.

Na declaração, lida pelo próprio militar, ele negou a acusação de ter "ajudado um inimigo" contra os EUA. Ninguém do WikiLeaks, incluindo o fundador do site, Julian Assange, segundo declarações de Manning, o teria "pressionado a divulgar as informações". A decisão de tornar público todo o material, de acordo com o soldado, foi tomada em razão de sua "vontade de deixar o mundo melhor".

Antes de procurar o WikiLeaks, Manning disse ter tentado entrar em contato com um repórter do Washington Post e com o ombudsman do New York Times. Na época, ele estava nos EUA - e não no Iraque. Sem obter sucesso, ainda cogitou ir ao site Politico, na capital americana, mas desistiu, segundo ele, em razão de uma nevasca. No fim, achou que a melhor alternativa seria passar as informações para o WikiLeaks.

"Acredito que, se o público, especialmente o americano, tivesse acesso às informações, isso poderia produzir um debate a respeito da política externa envolvendo o Iraque e o Afeganistão", afirmou o soldado, preso há quase três anos. Seus simpatizantes dizem que ele teria sido vítima de tortura. O Exército diz apenas que ele ficou um período preso em uma solitária 23 horas por dia.

A confissão ocorre antes do início de uma corte marcial para julgá-lo de uma série de acusações, entre elas a transferência de documentos diplomáticos do governo. Ao todo, a confissão pode levar a uma condenação de mais de 20 anos de prisão para Manning.

Os promotores militares ainda deverão pressionar a Justiça na acusação de "ajudar o inimigo", uma vez que ele transferiu documentos secretos, o que aumentaria ainda mais a pena do soldado. Na avaliação deles, Manning, ao publicar os documentos, colocou em risco a vida de uma série de pessoas que contribuem para a segurança dos EUA.

Na declaração de ontem, Manning disse ter "divulgado apenas os documentos" que ele possuía e tinha "absoluta certeza de que não prejudicariam os EUA".

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