Reprodução/CNN
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Soldado americano diz que combater o EI não é como um videogame

Randy Roberts afirma que muitos garotos querem se juntar a ele na linha de frente, mas que a vida por lá não é uma experiência semelhante ao jogo Call of Duty

O Estado de S. Paulo

30 Outubro 2015 | 16h30

DAMASCO - Um ex-soldado americano, que agora luta contra o Estado Islâmico (EI) ao lado de combatentes curdos na Síria, alertou para aqueles que pretendem se juntar a ele que a vida na linha de frente não é como um videogame.

“Você conhece muitas pessoas que pensam que isso (combate) será como uma experiência semelhante a um jogo como Call of Duty”, disse Randy Roberts em um campo próximos ao Rio Tigre, no norte da Síria, segundo informações da CNN“Eles acreditam que porque sabem como puxar o gatilho no videogame saberão como fazâ-lo na vida real.”

Roberts é um dos vários soldados do ocidente que foram para a Síria e Iraque se juntar ao YPG (Unidades de Proteção ao Povo), e ajudá-los a enfraquecer o EI. O grupo é composto por homens e mulheres da Europa e da América do Norte, entre eles um médico canadense de Alberta, uma jovem sueca e um homem espanhol.

Roberts, conhecido pelo apelido de “Red”, está entre os soldados de maior experiência do local. Ele foi para o Iraque duas vezes com o exército americano.

Quando o EI começou a controlar grandes extensões do território sírio no ano passado, Roberts tentou se juntar ao exército novamente, mas explicou que suas várias tatuagens diziam que ele não podia ir. Recentemente, soldados americanos foi proibidos de ter mais que quatro tatuagens em seus antebraços e pernas.

Com isso, ele decidiu ir ao país por conta própria usando a internet para conseguir contatos na região, por meio de grupos no Facebook como os “Leões de Rojava”, nome que os curdos sírios dão para sua terra-natal.

Roberts abandonou o curso de Design Gráfico que fazia em uma universidade de Nova York, comprou uma passagem de avião e viajou para Suleimaniyeh, no Iraque. Ele disse que foi motivado pelo EI para ir à região pelo “massacre de pessoas inocentes”.

“Em razão do meu passado militar e do fato de que eu já havia ido para a região anteriormente, senti que podia contribuir, que eu poderia ajudar a causa”, afirmou.

Ele esteve lá por sete meses, primeiro no Iraque, onde ao lado de outros soldados estrangeiros se uniu à ofensiva no sul de Kirkut, que recapturou várias vilas ocupadas pelo EI. No momento, ele está ajudando a treinar novos recrutas, alguns deles nunca sequer haviam segurado uma arma antes de chegarem ao Oriente Médio. Roberts diz que alguns deles, os que procuravam uma experiência como a dos videogames, não deveriam estar lá, não importa o quão bem-intencionado estivessem. “Se você quer lutar em outros países, lute por você mesmo primeiro.”

Vários soldados estrangeiros já foram mortos enquanto serviam com o YPG. O americano diz que pensou muitas vezes que poderia morrer, mas esse é um preço que ele está disposto a pagar.

Roberts agora planeja voltar para casa para descansar por um tempo e por estar quase sem dinheiro. Mas ele tem intenção de voltar e fazer a sua parte na luta contra o grupo extremista. “É melhor se levantar e fazer algo, se você acredita que pode ajudar, do que apenas sentar e assistir porque “ah, isso é do outro lado do mundo e não é o meu problema.”

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