Soldado dos EUA vai à corte marcial acusado de covardia

Desde a Guerra do Vietnã, o Exército dos Estados Unidos não pune um soldado por estar amedrontado demais para cumprir o seu dever. Mas amanhã, o sargento Georg Andreas Pogany comparecerá diante de um tribunal militar em Fort Carson, Colorado, para enfrentar acusações de que foi um covarde, informa o The New York Times. Segundo o jornal, o Exército afirma que ele é culpado de "conduta covarde em virtude do medo" e por não cumprir suas tarefas como interrogador esquadrão dos Boinas Verdes em Samarra Iraque. Mas Pogany afirma que não fugiu do inimigo nem desobedeceu ordens. De acordo com ele, a única coisa da qual pode ser culpado foi ter pedido ajuda por causa de um ataque de pânico. O diário conta que em sua segunda noite no Iraque, um mês atrás, Pogany, 32 anos, viu um iraquiano ser retalhado em dois pedaços por uma metralhadora. A cena o transtornou e ele diz que vomitou e tremeu por várias horas. Sua cabeça pesou e o peito doeu. "Eu não funcionava", disse Pogany em uma entrevista na terça-feira, no gabinete de seu advogado em Colorado Springs, próximo de Fort Carson, segundo o Times. "Eu tive uma perspectiva devastadora de minha própria mortalidade. Eu fiquei olhando para aquele corpo e pensando no poderia acontecer comigo nos próximos dois segundos", afirmou Pogany, segundo o jornal. Quando ele informou seu superior que estava sofrendo um ataque de pânico e precisava de atendimento, Pogany disse que recebeu dois comprimidos para dormir e foi mandado embora. Poucos dias depois, Pogany foi colocado em um avião e enviado para casa. Agora, de acordo com o NYT, ele pode enfrentar uma corte marcial. Se condenado, a punição varia desde um desconto em seu pagamento até a pena de morte.

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