EFE/JIM HOLLANDER
EFE/JIM HOLLANDER

Soldado israelense que matou agressor palestino é condenado a 18 meses de prisão

Corte alegou que Elor Azaria não expressou arrependimento pelo crime, mas levou em consideração seu histórico impecável no Exército

O Estado de S.Paulo

21 Fevereiro 2017 | 14h39

TEL AVIV - Um jovem soldado israelense condenado por matar um agressor palestino que estava ferido no chão foi sentenciado a 18 meses de prisão nesta terça-feira, 21, tempo muito menor do que os procuradores haviam pedido, em um dos casos que mais dividiu Israel em toda sua história.

A decisão de submeter o sargento Elor Azaria, que baleou o palestino depois que este esfaqueou outro soldado na Cisjordânia em março de 2016, à Corte Marcial causou polêmica no país desde o início, e pesquisas de opinião mostraram grande apoio ao médico do Exército.

Em fevereiro um tribunal militar condenou Azaria por assassinato, crime que acarreta uma pena máxima de 20 anos de reclusão.

A procuradoria pediu que Azaria fosse condenado a passar entre três e cinco anos atrás das grades, muito abaixo da pena máxima, destacando que ele alvejou um palestino que havia realizado um ataque poucos minutos antes.

Aprovando uma sentença de um ano e meio que comentaristas da mídia descreveram como leniente, a corte disse que Azaria não expressou arrependimento pelo crime, mas levou em conta que seu histórico no Exército foi impecável até o incidente e sua prisão causou profunda perturbação em sua família.

Os palestinos haviam pedido prisão perpétua, mas houve poucos indícios de que a pena iria provocar qualquer surto significativo de violência. Há tempos eles vêm acusando Israel de usar força excessiva contra agressores que portam armas leves e têm pouca esperança de que soldados sejam responsabilizados.

Na iminência do 50º aniversário da captura israelense da Cisjordânia, o julgamento levou muitos a questionarem se os militares estão desconectados com um público que vem se inclinado para a direita em relação aos palestinos.

Há 11 meses, Azaria, então com 19 anos, servia na cidade de Hebron quando dois palestinos realizaram o esfaqueamento. Hebron é um local de conflitos frequentes, e o incidente ocorreu durante uma onda de ataques de rua de palestinos contra israelenses.

Um dos agressores foi morto a tiros por soldados, o outro foi baleado e ferido. Onze minutos depois, quando o agressor ferido, Abd Elfatah Ashareef, de 21 anos, estava no chão incapacitado, Azaria o matou com um tiro de rifle de assalto na cabeça.

No julgamento, Azaria afirmou ter acreditado que o palestino, embora imóvel, ainda representava um perigo porque sua faca estava próxima e ele poderia estar carregando explosivos. "Ele merece morrer", disse Azaria a outro soldado depois de disparar, segundo uma citação presente no veredicto. / REUTERS

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