Soldado que matou detento no Iraque recebe pena leve

Uma sentença inesperadamente leve a um soldado americano pelo assassinato de um general iraquiano durante um interrogatório pode manchar a imagem do governo dos Estados Unidos e prejudicar os esforços pela defesa dos direitos humanos no resto do mundo, alertaram críticos. A promotoria salientou que o tratamento dispensado pelo interrogador do exército Lewis Welshofer Junior ao general iraquiano Abed Hamed Mowhoush "poderia muito bem ser qualificado como tortura" e manchou a reputação das forças armadas americanas.Inicialmente acusado de homicídio, agressão e desvio de conduta voluntário, Welshofer terminou considerado culpado de "homicídio por negligência" e de "desvio de conduta por negligência". No fim da noite de segunda-feira uma corte militar determinou a sentença de Welshofer: o desconto de US$ 6.000 de seu soldo e a restrição de seus movimentos à sua casa, ao quartel e à igreja ao longo dos próximos dois meses. A sentença ainda precisa ser revista pelo general Robert Mixon, comandante do Forte Carson.Mowhoush, ex-comandante das defesas aéreas do Iraque sob Saddam Hussein, rendeu-se ao Exército dos EUA em 10 de novembro de 2003, com a esperança de ver seus quatro filhos libertados. O general morreu 16 dias depois de sua rendição, quando Welshofer o prendeu num saco de dormir, sentou sobre seu peito e o sufocou até a morte.Se fosse ao contrário e um general americano sofresse da mesma forma nas mãos de interrogadores inimigos, haveria uma indignação generalizada nos Estados Unidos, comentou o presidente do Instituto Nacional de Justiça Militar, Eugene Fidell. O grupo, com sede em Washington, monitora as decisões da justiça militar americana.Na opinião dos críticos, a sentença branda a Welshofer e outros casos de punições leves a soldados que cometeram crimes no exterior podem colocar em risco os militares americanos que vierem a ser capturados, pois rebeldes poderiam usar esses fatos para justificar tratamento desumano.Frank Spinner, advogado de defesa, disse que o júri aparentemente acatou seu argumento de que Welshofer fez o que achava certo por não ter recebido ordens claras de seus comandantes.

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