Soldado será executado se EUA não parar ataques, diz Taleban

Milícia capturou soldado na semana passada; proposta de Hillary de bixar as armas também foi recusada

Agência Estado e Associated Press,

16 de julho de 2009 | 14h23

A milícia fundamentalista islâmica Taleban afirmou nesta quinta-feira, 16, que executará o soldado americano capturado na semana passada caso as forças armadas dos EUA não suspendam suas operações em dois distritos da região sudeste do Afeganistão, segundo um porta-voz do grupo.

 

Na semana passada, o Taleban havia anunciado que capturou um militar americano. O Exército dos EUA já havia informado antes que um soldado havia desaparecido e possivelmente estaria nas mãos dos rebeldes.

 

Abdullah Jalali, porta-voz do comandante taleban Mawlavi Sangin, disse que o soldado cativo está bem, mas ameaçou matá-lo se os EUA não pararem de bombardear os distritos de Giro, na província de Ghazni, e de Khoshamand, na província de Paktika.

 

Jihad

 

A milícia também anunciou nesta quinta-feira sua recusa ao pedida da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, de renunciar às armas e exigiu a retirada "imediata e incondicional" das tropas estrangeiras do Afeganistão.

 

"Não aceitaremos nenhum títere nem sua Constituição. Não deporemos as armas e continuaremos com a 'jihad' (guerra santa) enquanto as forças estrangeiras continuarem presentes no Afeganistão", disse à agência afegã "AIP" o porta-voz taleban Mohamad Yousef Ahmadi.

 

A declaração é uma resposta dos insurgentes ao primeiro grande discurso de Hillary sobre política externa, feito na quarta-feira, quando disse que os EUA darão as boas-vindas aos insurgentes que deixarem as armas, se separarem da rede terrorista Al Qaeda e aceitarem a Constituição afegã.

 

Ahmadi negou que existam talebans moderados e radicais, como sustenta o governo americano, que busca atrair uma parte da insurgência a um processo de reconciliação nacional. "Não existe essa divisão entre os talebans. Todos os talebans têm uma mesma fé e não conseguem suportar a presença de forças estrangeiras em seu território", disse.

 

Outro porta-voz insurgente, Zabihullah Mujahid, disse que "nenhum afegão sensível pode abandonar as armas" e defendeu seguir com a luta contra as tropas internacionais. "Se os EUA realmente querem a paz no Afeganistão e na região, deveriam retirar suas tropas imediatamente e sem condições", exigiu Mujahid, citado pela "AIP".

 

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, já sugeriu em março a possibilidade de iniciar conversas com um setor dos insurgentes, em uma estratégia semelhante à usada no Iraque, mas admitiu que o conflito afegão é mais "complexo".

 

Esta proposta teve o apoio do presidente afegão, Hamid Karzai, que sempre expressou seu desejo de negociar em termos mais amplos e inclusive com o líder máximo taleban, o mulá Omar.

 

A cúpula insurgente sempre rejeitou em público qualquer diálogo e, no ano passado, o próprio mulá Omar tachou de "propaganda" as informações na imprensa segundo as quais os talebans tinham iniciado alguns contatos com o governo afegão.

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