Soldado vai declarar culpa por massacre no Afeganistão

Um sargento do exército norte-americano acusado de assassinar 16 moradores de um vilarejo afegão em uma das maiores atrocidades da guerra no Afeganistão concordou em se declarar culpado pelo massacre em troca de evitar a pena de morte, segundo declarou seu advogado nesta quarta-feira à Associated Press.

AE, Agência Estado

29 Maio 2013 | 19h32

O sargento Robert Bales vai se declarar culpado das acusações de assassinado premeditado em 5 de junho, quando comparecer diante de um tribunal militar na base de Lewis-McChord, no sul de Seattle, disse hoje o advogado John Henry Browne.

A fase de audiências, marcada para setembro, vai determinar se ele será condenado a prisão perpétua, sem a possibilidade de liberdade condicional. Um juiz e o comandante-geral deverão aprovar a possibilidade de recurso.

A maioria das vítimas do massacre era mulheres e crianças, cujos corpos foram empilhados e queimados. Os assassinatos causaram uma onda de protestos nos Estados Unidos, o que resultou na suspensão dos combates no Afeganistão três semanas antes de os investigadores chegarem à cena do crime.

Bales servia pela quarta vez em uma área de combate quando perpetrou o massacre, e as alegações contra ele levantaram questionamentos acerca do efeito de múltiplos deslocamentos a zonas de guerra sobre os soldados. Por essa razão, juristas acreditam que Bales dificilmente receberá a pena de morte. A justiça militar não realiza uma execução desde 1961.

Em contrapartida, um acordo pode aumentar as tensões no Afeganistão. Em entrevista à Associated Press na cidade de Kandahar, em abril, parentes das vítimas mostraram revolta à ideia de que Bales poderá escapar da pena de morte e prometem vingança.

"Só por isso, poderíamos matar cem soldados norte-americanos", afirmou Mohammed Wazir, que teve 11 membros da família mortos naquela noite, incluindo a mãe e uma filha de dois anos.

"Prisão perpétua não significa coisa alguma", argumentou Said Jan, que perdeu a esposa e três outros familiares durante do massacre. "Sei que agora não tenho poder. Mas vou me fortalecer, e se ele não for para forca, eu terei minha vingança", ameaçou. As informações são da Associated Press.

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