Soldados buscam rebeldes envolvidos nos atentados no Timor

Pelo menos 500 acompanham sepultamento do insurgente que liderou ataque contra o presidente Ramos-Horta

Efe,

14 de fevereiro de 2008 | 10h37

As forças de segurança realizaram nesta quinta-feira, 14, uma operação militar para capturar os soldados rebeldes que na segunda-feira promoveram um atentado contra o presidente do Timor Leste, José Ramos-Horta, e o primeiro-ministro, Xanana Gusmão.   Veja Também Leia entrevista de Ramos-Horta ao 'Estado' Ramos-Horta é figura central há 30 anos Miséria e violência: combustíveis da crise     Enquanto as tropas se concentravam na busca dos rebeldes, segundo testemunhas citados pela imprensa australiana, cerca de 500 timorenses assistiam em Díli ao sepultamento de Alfredo Reinado, chefe do grupo insurgente e morto no tiroteio com as guarda-costas de Ramos Horta.   O ex-comandante Reinado foi sepultado no quintal da casa de sua família adotiva, ao lado de outro rebelde morto no ataque ao chefe do Estado, que levou três tiros, dois nas costas e outro no estômago, de acordo com os médicos.   Ramos Horta, de 58 anos e Nobel da Paz em 1996, foi submetido a três cirurgias, e apesar de continuar em coma induzido na unidade de terapia intensiva do hospital australiano Royal Darwin, seu estado é estável.   Os médicos que atendem ao presidente, que deverá ser novamente operado no próximo fim de semana, afirmaram que Ramos Horta deve precisar de várias semanas para recuperar a mobilidade, o que poderá acontecer totalmente dentro de seis meses.   Apoiados por vários helicópteros, soldados australianos da força internacional e unidades de elite da polícia das Nações Unidas rastrearam a área em torno da aldeia de Dare, situada cerca de vinte quilômetros ao norte de Díli. Segundo suspeitas, alguns rebeldes do grupo - que também atacou o primeiro-ministro Xanana Gusmão, que escapou ileso - poderiam estar escondidos no local.   O chefe interino da polícia das Nações Unidas, Hermanprit Singh, disse à rádio australiana ABC que a operação foi iniciada após serem consideradas válidas as ordens de busca e captura prorrogadas contra os rebeldes há vários meses. "A prorrogação das velhas ordens de busca e captura por crimes anteriores vale para os rebeldes, e agora as forças de segurança irão atrás eles", disse Singh.   Antes do início da operação militar, a porta-voz da representação das Nações Unidas, Alison Cooper, disse que a força internacional aguardava receber das autoridades timorenses novas ordens de busca e captura, para poder procurar os fugitivos.   O Procurador-geral do Timor Leste, Longuinhos Monteiro, disse à imprensa em Díli que tinha estendido outras seis ordens de captura válidas por três semanas contra outros seis suspeitos de terem participado dos ataques aos dois dirigentes timorenses, elevando para 24 o número de supostos envolvidos. Segundo o ministro australiano de Assuntos Exteriores, Stephen Smith, cerca de 20 rebeldes, divididos em dois grupos de aproximadamente dez cada um, participaram dos ataques contra Ramos Horta e Gusmão.   Os dois atentados, classificados por Gusmão como uma tentativa de golpe, causaram a segunda crise desde que, em 2006, Reinado desertou do Exército do Timor Leste com cerca de 600 soldados, após denunciar nepotismo e corrupção nos meios militares.   Depois de serem capturados, Reinado e cerca de 20 insurgentes escaparam da prisão em agosto de 2006, atacaram um posto de vigilância, se entrincheiraram na selva, e expulsaram as tropas australianas, que mais tarde atacaram o esconderijo dos rebeldes.

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