Soldados da ONU matam pelo menos uma pessoa no Haiti

Soldados das forças de paz abriram fogo hoje contra manifestantes, matando pelo menos 1 e ferindo 4, disseram testemunhas. A força de estabilização da ONU para o Haiti disse que seus soldados dispararam para o ar, não contra a multidão de partidários do candidato e ex-presidente René Préval perto do aeroporto internacional.Os manifestantes ergueram barricadas em chamas em várias partes de Porto Príncipe, paralisando a capital. Também invadiram um hotel onde os membros do Conselho Eleitoral Provisório (CEP) estão anunciado os resultados das eleições presidenciais do dia 7.Os partidários de Préval querem que ele seja declarado presidente apesar de não ter obtido os 51% de votos necessários para ser eleito no primeiro turno. Apurados cerca de 90% dos votos, Préval tinha 48,7%, informou o Conselho Eleitoral em seu site na internet. Seu rival mais próximo, o também ex-presidente Leslie Manigat, tinha 11,8% dos votos, e o empresário Charles Baker, 7,9%.Os violentos protestos foram desatados depois que um membro do CEP, Pierre Richard Duchemin, denunciou no domingo fraude na eleições. Segundo ele, "houve um certo grau de manipulação dos resultados do pleito". Ele disse que teve rejeitado seu acesso à informação sobre o processo de tabulação e pediu uma investigação. "Há um esforço para impedir que as pessoas façam perguntas", disse Duchemin.Jornalistas da agência Associated Press viram o cadáver de um homem em uma rua do bairro de Tabarre. Sua camiseta ensangüentada levava a foto de Préval. Testemunhas disseram que soldados jordanianos, membros das forças de paz da ONU, abriram fogo contra a multidão, matando um pessoa."Estávamos protestando de modo pacífico quando a ONU começou a disparar. Houve muitos disparos. Todos começaram a correr", disse Walrick Michel, de 22 anos, um dos partidários de Préval.Nas colinas que rodeiam Porto Príncipe, em Petionville, centenas de manifestantes invadiram o elegante Hotel Montana, acusando o CEP de manipular a apuração de votos para evitar que Préval vença o primeiro turno. Helicópteros das forças de paz desceram no teto do hotel e os soldados retiraram os manifestantes. O arcebispo sul-africano Desmond Tutu também foi ao hotel para pedir calma aos manifestantes.Os partidários de Préval bloquearam várias ruas da capital, entre elas algumas das áreas mais congestionadas como Delmas e Canape Vert. As escolas não funcionaram hoje e a ONU advertiu seus funcionários a permanecerem em casa por causa dos distúrbios. Os manifestantes tocaram buzinas e tambores diante da sede do CEP, chamando Jacques Bernard, diretor-geral do conselho, de ladrão. Bernard negou as acusações de que o CEP invalidou numerosos votos para Préval.O presidente eleito substituirá o governo interino instalado após a queda do ex-presidente Jean-Bertrand Aristide em uma sangrenta rebelião dois anos atrás.Dos 2,2 milhões de votos depositados, cerca de 125 mil foram declarados inválidos por causa de irregularidades, aumentando as suspeitas, entre os partidários de Préval, de que as autoridades eleitorais estão tentando manipular os resultados. Quando os resultados preliminares foram anunciados na semana passada, Préval tinha 61% dos votos, levando a acreditar que ele venceria folgadamente as eleições, evitando um segundo turno em 19 de março.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.