Vahram Baghdasaryan, PHOTOLURE via AP
Vahram Baghdasaryan, PHOTOLURE via AP

Soldados do Azerbaijão morrem em novos conflitos com armênios em Nagorno Karabakh

Ao menos 33 militares de ambos os lados morreram desde a retomada das hostilidades, as mais sangrentas desde o cessar-fogo instaurado entre os dois países em 1994

O Estado de S. Paulo

04 Abril 2016 | 12h15

BAKU - O Exército do Azerbaijão anunciou nesta segunda-feira, 4, a morte de três de seus soldados em confrontos com as forças da Armênia na região de Nagorno Karabakh, onde os combates prosseguem pelo terceiro dia consecutivo, apesar dos apelos à paz feitos pela comunidade internacional.

Ao menos 33 militares dos dois lados e três civis morreram desde a retomada - na noite de sexta-feira - das hostilidades, as mais sangrentas desde o cessar-fogo instaurado entre os dois países em 1994. Além disso, 200 militares ficaram feridos.

O Ministério da Defesa da Armênia denunciou que os confrontos entre seus soldados e as tropas do Azerbaijão continuam em toda a linha de separação. O porta-voz do órgão, Artsun Ovannisian, disse no Facebook que as forças do país destruíram dois tanques do inimigo nas últimas horas.

"É uma penosa tentativa da Armênia de disfarçar a verdade. Recomendaria que Ovannistan vá ele próprio à linha de frente e comprove suas mentiras", respondeu o porta-voz do Ministério da Defesa do Azerbaijão, Vagif Dargiajli.

Este conflito, cuja origem remonta a vários séculos, se cristalizou durante o período soviético, quando Moscou atribuiu o território majoritariamente armênio à república socialista soviética do Azerbaijão.

Além disso, tem como palco uma região do Cáucaso estratégica para o transporte de hidrocarbonetos, e é perto do Irã, da Turquia e às portas do Oriente Médio.

A escalada militar ocorre em um momento em que a Rússia, que mantém boas relações com a Armênia, e a Turquia, tradicional aliada do Azerbaijão, atravessam uma grave crise diplomática em razão da guerra na Síria.

Esta região passou para o controle das forças separatistas pró-armênias após uma guerra entre 1988 e 1994 que deixou 30 mil mortos e centenas de milhares de refugiados, principalmente azeris.

Apesar da vigência desde 1994 de um cessar-fogo, nunca foi assinado um acordo de paz definitivo e, após vários anos de calma relativa, nos últimos meses ocorreu uma escalada da violência, a ponto de Yreván ter afirmado em dezembro que a guerra havia voltado.

Ameaça. No campo militar, os três soldados azeris morreram por tiros de morteiro e lança-granadas a partir das barricadas ocupadas pelas forças armênias, indicou o ministério da Defesa. "Se as provocações armênias continuarem, lançaremos uma grande operação ao longo da linha de frente e utilizaremos todas as nossas armas", disse à imprensa o porta-voz do ministério, Vagif Dargahly.

O ministério da Defesa da região separatista, apoiado pela Armênia, disse que as tropas do Azerbaijão "intensificaram nesta segunda-feira seus bombardeios sobre as posições do Exército em Karabakh, utilizando morteiros de 152 mm, lança-foguetes e carros.

As forças armênias "avançaram muito em algumas zonas do front e tomaram novas posições", declarou o porta-voz do Ministério armênio da Defesa, Artsrun Hovhannisyan. No entanto, o Azerbaijão disse que estas declarações eram falsas e afirma controlar desde sábado todas as colunas estratégicas de Nagorno Karabakh.

No domingo, o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, declarou vitória. "Conseguimos uma grande vitória militar. Se os soldados armênios não quiserem morrer, que deixem o território azerbaijano. Nós não capturamos território alheio", disse o presidente em referência à Karabakh e à faixa de segurança controlada pelas forças armênias desde o fim da guerra em 1994, que causou mais de 25 mil mortos.

A Rússia e os ocidentais pediram ao Azerbaijão e à Armênia o fim dos combates. O Azerbaijão, rico em petróleo e cujo orçamento de defesa é às vezes mais importante que o orçamento total da Armênia, ameaça regularmente retomar à força a região separatista.

No domingo, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, afirmou que a Turquia apoiará o Azerbaijão até o fim deste conflito. "Rezamos para que nossos irmãos azeris triunfem nestes combates com o menor número de baixas possível", afirmou Erdogan. /AFP e EFE

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