Soldados dos EUA acusados de matar afegãos 'por esporte'

'Washington Post' detalha ação de cinco militares que guardavam pedaços das vítimas,escolhidas ao acaso

, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2010 | 00h00

WASHINGTON

Soldados americanos colocaram em prática um plano tão simples como selvagem: mirar aleatoriamente e matar um afegão civil, impunemente.

Durante semanas, segundo documentos da acusação no Exército, essa ideia macabra foi de membros da 5.ª Brigada de Combate Stryker, da 2.ª Divisão de Infantaria. No inverno passado, um afegão, solitário, aproximou-se deles no vilarejo de La Mohammed Kalay. O "grupo da morte" então levou o plano a cabo. Um dos soldados inventou que estavam sendo atacados, lançando uma granada. Então os outros abriram fogo.

Com base nos documentos, o ataque foi o início de uma farra de disparos mortíferos contra civis afegãos que durou meses. Os membros do pelotão foram acusados de dissecar e fotografar cadáveres e também de guardar um esqueleto e outros ossos humanos. Eles também teriam guardado dedos das vítimas como troféus.

Uma investigação foi realizada após a acusação de que o Exército ignorou avisos de que soldados descontrolados vinham cometendo atrocidades. O pai de um soldado disse que tentou alertar o Exército depois que soube por seu filho do primeiro assassinato.

Ainda segundo documentos do Exército, cinco membros da unidade mataram três civis na Província de Kandahar entre janeiro e maio. E sete outros soldados são acusados de crimes relacionados ao caso, incluindo o uso de haxixe, tentativas para impedir uma investigação e um ataque contra um civil que os delatou. Um exame dos documentos entregues ao tribunal militar e entrevistas com pessoas próximas das investigações sugerem que os assassinatos foram cometidos basicamente por diversão por soldados inclinados ao uso de haxixe e álcool.

Esses soldados, por meio de seus advogados, negam os fatos. O caso vem sendo marcado por uma série de acusações e contra-acusações entre os indiciados.

O Exército já marcou datas das audiências preliminares para este trimestre na Base Conjunta Lewis-McChord, que abriga a Brigada Stryker.

Oficiais militares afirmaram, em particular, estar preocupados que as audiências chamem ainda mais atenção para o caso, uma vez que podem ser apresentadas fotos e outras provas que poderão provocar indignação dos civis afegãos, cujo apoio é crucial na luta contra o Taleban. / WASHINGTON POST

PARA LEMBRAR

Em 2004, fotografias das torturas e humilhações impostas a prisioneiros iraquianos na prisão de Abu Ghraib por soldados americanos foram divulgadas pela primeira vez na revista The New Yorker. Segundo a revista, os presos sofriam diversos tipos de abuso - de estupro a eletrocução e ataques de cachorro. Um relatório do Senado culpou a cúpula do governo de George W. Bush pelos abusos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.