Soldados dos EUA e do Paquistão trocam tiros na fronteira afegã

Mais cedo, tropas paquistanesas abriram fogo contra helicóptero americano; cresce tensão entre os países

Agência Estado e Associated Press,

25 de setembro de 2008 | 16h48

Soldados americanos e paquistaneses trocaram tiros durante aproximadamente cinco minutos na fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão, revelou nesta quinta-feira, 25, uma fonte militar dos Estados Unidos em Cabul De acordo com o oficial do Exército americano, o breve confronto começou quando forças paquistanesas abriram fogo contra dois helicópteros dos EUA que escoltavam forças terrestres na volátil região de fronteira. Veja também:Governo paquistanês nega ataque a helicóptero da OtanPaquistão abre fogo contra helicópteros da Otan A fonte disse que os soldados americanos atiraram na direção do posto militar paquistanês de onde vinham os tiros e que as forças do Paquistão então abriram fogo contra as tropas terrestres. Não há informações sobre vítimas da troca de tiros. Segundo a fonte, os helicópteros escoltavam militares americanos e afegãos dentro do Afeganistão, a cerca de 1,5 quilômetros da fronteira. Mais cedo, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) informou que dois helicópteros da entidade foram alvos de disparos efetuados a partir de um posto militar avançado do Paquistão. O governo paquistanês, porém, negou o ataque. Segundo um comunicado da Otan, o episódio ocorreu em Tanai, um distrito da província afegã de Khost. O presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, disse em Nova York que apenas "sinalizadores" foram lançados na direção dos helicópteros estrangeiros. Segundo Zardari, a intenção era "assegurar que eles soubessem que cruzaram a fronteira". A secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, que estava ao lado de Zardari durante a entrevista coletiva, disse que a fronteira é "muito pouco clara", o que dificulta a movimentação dos helicópteros, por exemplo.  O tiroteio desta quinta-feira ocorre em meio a uma crescente tensão entre EUA e Paquistão na fronteira afegã, incluído um reide de forças americanas em uma região tribal em 3 de setembro e deixou civis mortos, o que enfureceu os paquistaneses, e a aparente queda de uma avião espião americano nesta semana no Paquistão. "Após o incidente de 3 de setembro, as ordens são claras" disse o porta-voz do Exército do Paquistão, o general Athar Abbas. "No caso de acontecer novamente, sem ambigüidade, seja por terra, mar ou ar: abram fogo." Em Washington, o porta-voz do departamento de defesa dos EUA, Bryan Whitman, disse que a Otan pediu imediatamente uma explicação ao Paquistão sobre o incidente desta quinta, definido pelo funcionário como "problemático". Questionado como as forças paquistanesas poderiam confundir um helicóptero americano com uma unidade inimiga - o grupo fundamentalista Taleban e a rede terrorista Al-Qaeda não têm helicópteros militares, Whitman disse: "Apenas o Paquistão pode explicar o significado." Os líderes civis paquistaneses condenam as operações americanas que levam ao cruzamento da fronteira, autorizadas pelo presidente americano George W. Bush, enquanto o exército paquistanês disse que defenderá o país "a qualquer custo."

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