Soldados dos EUA terão imunidade relativa em bases colombianas

Depois de enfrentar resistência externa por oferecer sete bases militares a forças americanas, o governo colombiano tenta convencer seus cidadãos de que os delitos cometidos por soldados dos EUA no país não ficarão impunes.A dúvida sobre o alcance da Justiça local sobre os soldados estrangeiros surgiu depois que, na semana passada, o senador da oposição Gustavo Petro, do Polo Democrático Alternativo, lembrou o caso de uma menina que foi abusada sexualmente - em 2007, quando ela tinha 12 anos - por dois militares americanos, nos arredores de Bogotá.A mãe da criança teve de fugir com suas duas filhas depois de denunciar o caso à Justiça. "Tentaram assassiná-las há pouco tempo", disse Petro. Os dois soldados acusados pelo crime voltaram aos EUA impunemente.No domingo, o chanceler colombiano, Jaime Bermúdez, disse que os militares americanos terão imunidade. Mas, segundo ele, a Justiça local poderá pedir que esta proteção seja suspensa em casos de "extrema gravidade". No entanto, Bermúdez não disse que casos seriam esses."Não haverá jurisdição americana em território colombiano", disse o chanceler, esclarecendo que os soldados americanos que cometam crimes fora do exercício de suas funções poderão ser julgados por juízes americanos na embaixada ou nos consulados dos EUA na Colômbia.DETALHESBermúdez tem encontro marcado para amanhã, em Washington, com a secretária americana de Estado, Hillary Clinton.Os dois devem discutir os detalhes finais do acordo que poderia ser assinado ainda neste final de semana.Atualmente, o Plano Colômbia - estratégia firmada há nove anos por Washington e Bogotá para o combate ao narcotráfico e à guerrilha - prevê a presença de até 800 militares e 600 funcionários privados americanos em bases colombianas. O novo texto não deve mudar esses números.O documento menciona também o uso de até sete bases militares colombianas, cinco aéreas e duas navais, mas os EUA poderiam estender a solicitação a um número maior de bases.

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