Soldados e policiais entregam-se a rebeldes em Goma

Milhares de soldados e policiais congoleses renderam-se aos rebeldes do M23 no leste do Congo nesta quarta-feira, ao mesmo tempo em que líderes do movimento prometiam tomar o controle de todo o país, inclusive de Kinshasa, a capital.

AE, Agência Estado

21 de novembro de 2012 | 12h38

"Agora estamos indo para Kinshasa. Ninguém vai dividir este país", disse o coronel Vianney Kazarama, porta-voz do M23, a milhares de correligionários em Goma, cidade de cerca de 1 milhão de habitantes no leste do Congo capturada ontem.

Os rebeldes organizaram hoje um comício no Estádio dos Vulcões depois de terem assegurado a captura de Goma.

No evento, Kazarama afirmou que o próximo objetivo dos rebeldes é a captura da cidade de Bukavu, capital da província de Kivu do Sul, na margem oposta do Lago Kivu.

Segundo ele, os rebeldes já controlam a cidade de Sake, a 27 quilômetros de Goma, na estrada para Bukavu, e em breve capturarão Minova.

Hoje, mais de 2.100 soldados e 700 policiais entregaram suas armas ao M23, disse o coronel rebelde Seraphin Mirindi. Os ex-soldados e ex-policiais entregaram suas armas e suas munições no estádio.

Em vista do avanço rebelde, a República Democrática do Congo declarou nesta quarta-feira que o quartel general militar da província de Kivu do Norte, principal produtora de estanho do país, foi deslocado temporariamente para a cidade de Beni. A medida foi tomada um dia depois que a capital da província, Goma, foi capturada por rebeldes da facção M23.

Em um comunicado, o vice-governador de Kivu do Norte, Feller Lutahichirwa, disse que os ministérios da província, o judiciário e o comando militar foram realocados para Beni, uma cidade de mineração de ouro, próxima a fronteira de Uganda. "Isso continuará em vigor até a restauração da autoridade do estado em Goma", acrescentou.

Ontem, o M23 tomou controle sobre Goma, preocupando a comunidade internacional. Desde então, milhares de moradores fugiram da cidade, que também serve de sede para uma dúzia de agências humanitárias.

Durante a madrugada, o Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou por unanimidade sanções aos líderes do M23.

Enquanto isso, os presidentes do Congo, Joseph Kabila, e da Ruanda, Paul Kagame, reuniram-se em Uganda para conversas de emergência em uma tentativa de frear as crescentes tensões entre os líderes e seus países. Uma rebelião que parece ter sido apoiada por Ruanda tomou Goma, cidade de cerca de 1 milhão de habitantes no leste do Congo.

Um diplomata ugandense envolvido nas negociações disse nesta quarta-feira que os presidentes se reuniram na noite de ontem na capital de Uganda, Kampala. Ele afirmou que o presidente da Uganda vai mediar as conversas durante o dia de hoje.

A fonte também informou que Kabila pode se ver obrigado a entrar em negociação direta com rebeldes do M23, movimento que tomou parte de Goma, uma cidade estratégica no leste congolês. O governo do Congo já havia advertido que não negociaria com os rebeldes. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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