Soldados invadem palácio e levam presidente do Níger

Soldados armados invadiram hoje o palácio presidencial do Níger e levaram o presidente Mamadou Tandja, cujo paradeiro é desconhecido, de acordo com relato de testemunhas.

AE-AP, Agencia Estado

18 de fevereiro de 2010 | 15h06

Um motorista do palácio, Moussa Mounkaila, disse que os homens armados interromperam uma reunião do gabinete de governo. Um jornalista local que trabalhava no palácio, Traore Amadou, disse que Tandja foi levado e que não se sabe onde ele está agora.

Alguns meses atrás, um controverso referendo permitiu que Tandja permanecesse no poder por mais alguns anos. Autoridades não puderam ser contatadas para comentar o caso.

Mais cedo, um alto funcionário francês, pedindo anonimato, afirmou que o governo do Níger estava sofrendo uma tentativa de golpe. Segundo a fonte, que pediu anonimato, Tandja "não está em uma boa posição".

Soldados abriram fogo na capital, Niamei, onde explosões e disparos foram ouvidos em vários pontos da cidade. Testemunhas também disseram que os tiros aparentemente tinham a sede da presidência como alvo e que viram os corpos de pelo menos três soldados sendo levados para o necrotério de um hospital.

"Nós ouvimos disparos de armas automáticas e então grandes detonações", relatou Claire Deschamps, uma francesa que vive na capital do Níger. "Durou cerca de meia hora, sem parar." A França pediu a seus cidadãos no país africano que não saiam de casa. Há aproximadamente 1.500 franceses no Níger.

Soldados enviados à área para conter a situação desertaram, segundo um correspondente da France Presse na capital. A rádio estatal não tratou do caso, limitando-se a tocar músicas locais enquanto a tensão crescia no Níger, um país pobre do oeste da África, rico em urânio.

Histórico

Tandja, de 71 anos, está no poder há mais de uma década. Ele conseguiu mais tempo no posto com um controverso referendo em agosto passado, após dissolver o Parlamento e a Corte Constitucional. Desde então, o Níger está isolado no cenário internacional.

O Níger é um país africano bastante empobrecido, aparecendo entre os últimos no ranking do Índice do Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU. Desde sua independência da França, em 1960, a nação sofre com uma série de golpes de Estado. Além disso, a economia em grande parte agrária é prejudicada pelas secas, comuns na região do Sahel africano.

Após dissolver o Parlamento, Tandja marcou eleições parlamentares para novembro. As atitudes antidemocráticas levaram a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Ecowas, na sigla em inglês) a suspender o país. A União Europeia cortou o auxílio ao desenvolvimento do Níger e os EUA também impuseram sanções.

Com informações da Dow Jones.

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