Soldados israelenses avançam sobre o norte de Gaza

Soldados israelenses a bordo de tanques e veículos blindados avançaram sobre duas cidades do norte da Faixa de Gaza nesta quarta-feira, desencadeando violentos confrontos que resultaram na morte de pelo menos duas pessoas, informaram autoridades locais. A operação visa inibir a ação de militantes palestinos engajados em disparos de foguete contra alvos em Israel. Apesar da persistente ofensiva israelense contra Gaza, os militantes palestinos mantêm os disparos de foguete contra alvos no sul de Israel. Um dos foguetes disparados nesta quarta-feira atingiu uma escola pouco antes do início das aulas, mas não havia crianças no momento. Não houve vítimas dos disparos. Fontes médicas e agentes de segurança disseram que um militante palestino de 22 anos morreu durante a ofensiva israelense. De acordo com o braço armado do Hamas, ao qual pertencia o militante, o rapaz foi morto quando tentava disparar um foguete na direção de Israel. Segundo o Exército, soldados alvejaram o militante em Beit Hanoun. Em outro episódio de violência ocorrido nesta quarta-feira, um disparo de tanque israelense provocou a morte de um policial palestino ligado às forças de segurança mantidas pelo Hamas. O Exército israelense alega ter atirado contra palestinos armados que colocavam explosivos no caminho de seus soldados. A escalada de violência coincide com a decisão da Cruz Vermelha Internacional de suspender suas atividades em Gaza depois de dois de seus agentes humanitários terem sido brevemente seqüestrados no território palestino litorâneo. A suspensão representa um duro golpe contra os esforços humanitários no devastado e empobrecido território. Os dois agentes humanitários, ambos de origem italiana, foram seqüestrados na terça-feira no sul da Faixa de Gaza e libertados ilesos depois de nove horas, informou a Cruz Vermelha em Genebra. Franco-atiradores Nos episódios de violência de quarta-feira, franco-atiradores israelenses ocuparam o topo de prédios e casas nas cidades palestinas de Beit Hanoun e Jebaliya, enquanto as tropas terrestres avançavam. Três meninas palestinas foram feridas por soldados israelenses que abriram fogo perto de uma escola em Beit Hanoun, disseram fontes num hospital e nos serviços de segurança. Os franco-atiradores israelenses também ocuparam o telhado da casa da deputada palestina Jamila Shanti, que ajudou a mobilizar mulheres em uma manifestação que permitiu a fuga de militantes palestinos cercados por Israel no início deste mês. Os familiares da deputada ficaram retidos dentro da residência cercada pelos soldados israelenses, que armaram uma barricada ao redor da casa e dispararam nove granadas contra o imóvel, que já havia sido atacado em outra operação israelense contra Jebaliya no início do mês, disseram testemunhas. Ao contrário do que fora dito inicialmente, a deputada não estava em casa no momento do cerco. Seus familiares contaram a ela que escavadeiras israelenses abriram dois buracos na parede para que os soldados entrassem. Ao todo, 15 parentes de Shanti foram presos num quarto da residência, inclusive cinco crianças. A seguir, os soldados despejaram os móveis da casa e as roupas dos moradores pela janela. "Eles apenas nos fazem mais obstinados", disse ela depois de tomar conhecimento do episódio. "Resistiremos até nossa última gota de sangue", declarou a deputada. Ataques palestinos O Exército de Israel confirmou que está agindo na área, mas não forneceu detalhes. Oficiais israelenses disseram não ter informações sobre o ataque à casa de Shanti. Militantes palestinos confrontaram os soldados israelenses em Beit Hanoun e em Jebaliya plantando minas terrestres e disparando mísseis antitanque e granadas propelidas por foguete, disseram agentes de segurança. Comandantes do braço armado do Hamas recomendaram a seus militantes que não viajassem em carros para evitar eventuais ataques aéreos israelenses. Enquanto isso, numa reunião realizada nesta quarta-feira, o gabinete de segurança de Israel concluiu que não há motivo, por enquanto, para expandir as operações militares contra a Faixa de Gaza, mas deixaram a opção em aberto. No fim da noite de terça-feira, um israelense atingido horas mais cedo por um foguete palestino não resistiu aos ferimentos e morreu, informaram nesta quarta-feira autoridades locais.S

Agencia Estado,

22 Novembro 2006 | 17h02

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