Soldados israelenses matam garoto palestino e ferem cinegrafista

Soldados israelenses abriram fogo contra palestinos que lhes atiravam pedra, na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, neste domingo, causando a morte de um menino de 11 anos e deixando ferido um cinegrafista da Associated Press Television News. Enquanto isso, o procurador-geral de Israel, Elyakim Rubinstein, dizia ao primeiro-ministro Ariel Sharon durante uma reunião semanal de gabinete que a política de "assassinatos seletivos" de supostos militantes palestinos deveria ser utilizada apenas como último recurso. Seus comentários foram feitos após os rumores de que Sharon teria ordenado ao Exército que aumentasse o ritmo dos "assassinatos seletivos". Segundo o diretor do hospital da cidade, doutor Ahmed Abu Baker, por conta do enfrentamento de hoje, em Tulkarem, o garoto Abdel Karim Salameh, de 11 anos, foi morto com um tiro na cabeça. Um segundo garoto, também de 11 anos, foi ferido na perna por uma bala de borracha, prosseguiu o médico. O Exército de Israel informou que utilizou "meios não-letais" para dispersar a multidão de atiradores de pedras, mas recusou-se a entrar em detalhes sobre quais seriam esses "meios não-letais". Os militares israelenses consideram balas de aço revestidas por borracha uma arma não-letal, embora essa munição possa ser letal se disparada a curta distância. A morte deste domingo foi a segunda de uma criança palestina em dois dias. Ontem, uma menina de nove anos foi assassinada quando brincava em frente à sua casa num campo de refugiados em Gaza. Ainda neste domingo, cerca de 150 manifestantes palestinos e estrangeiros saíram às ruas de Gaza para protestar em frente a um posto do Exército de Israel contra as restrições impostas aos palestinos. Quando os manifestantes estavam a cerca de 100 metros do posto militar, soldados dispararam para dispersar a multidão, disse o cinegrafista Tamer Ziara, de 20 anos, que filmava o evento para a Associated Press Television News. Ziara disse que filmava faixas de protesto quando foi atingido de raspão por um tiro na parte posterior da cabeça. A bala aparentemente ricocheteou. Médicos do Hospital de Rafah disseram que Ziara está em condições estáveis de saúde e ficará em observação durante três dias. Uma porta-voz do Exército disse que os soldados abriram fogo por que se sentiram "ameaçados".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.