Soldados israelenses matam sete palestinos na Cisjordânia

Soldados israelenses mataram nesta quinta-feira sete palestinos em ações militares realizadas na Cisjordânia e voltaram a decretar toque de recolher em Belém, após uma breve retirada do local onde, segundo a tradição cristã, nasceu Jesus Cristo. Entre os mortos estão cinco palestinos procurados pelo Exército e dois civis desarmados - um estudante e um guarda de trânsito. O incidente deixou 20 palestinos e cinco soldados israelenses feridos. Em uma das ações, os soldados de Israel invadiram uma ala do principal hospital de Ramallah e abriram fogo contra a sala de segurança do local. Um segurança morreu e três ficaram detidos, disseram testemunhas. O Exército preferiu não se pronunciar sobre o assunto. Simultaneamente, uma fonte israelense confirmava que o Exército havia começado a criar zonas de contenção em torno de assentamentos judaicos na Cisjordânia para evitar a eventual aproximação de militantes islâmicos. Altos funcionários palestinos protestaram contra a medida. Eles alegam que, com o estabelecimento de áreas cercadas e proibidas, Israel expande ainda mais as colônias já existentes. Duas das ações israelenses desta quinta-feira foram realizadas em Ramallah. Pela manhã, soldados pararam um carro com dois supostos ativistas do Hamas na Praça Manara, centro de Ramallah. Segundo o Exército, os soldados abriram fogo após um dos suspeitos sacar um revólver. O homem armado morreu. No carro, os militares disseram ter encontrado um fuzil, duas armas e dinheiro. No decorrer da operação, palestinos que passavam pelo local jogaram pedras nos soldados, que abriram fogo contra os manifestantes. Os disparos israelenses causaram a morte de um guarda de trânsito de 19 anos, disseram fontes hospitalares. Horas mais tarde, uma van levou soldados israelenses até uma ala do Hospital de Ramallah e parou em frente à sala de segurança, disse Mustafa Issa, governador de Ramallah. Os soldados exigiam que os guardas se rendessem e dispararam contra a janela porque seus pedidos não foram atendidos. Três seguranças saíram empunhando camisetas brancas. Os soldados então voltaram a atirar contra a janela, disse Issa. Um quarto guarda foi encontrado ferido na sala de segurança, informou o governador. Mais tarde, os soldados disseram a Issa que o segurança havia morrido. Na cidade de Tulkarem, soldados israelenses mataram Jamal Nader, de 28 anos, um líder local das Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa, uma milícia ligada à Fatah, movimento político de Yasser Arafat. No quarto incidente, ocorrido na cidade de Kabatiya, soldados cercaram a casa de Hamza Abu Roub, de 37 anos, um líder local da Jihad Islâmica, e exigiram sua rendição. De acordo um vizinho, Abu Roub ordenou à esposa e aos filhos que saíssem da casa. O fugitivo então apareceu perto de uma parede de sua casa e começou a atirar, fazendo com que os soldados respondessem com artilharia pesada. Os disparos podiam ser ouvidos por toda a cidade, disseram moradores. O tiroteio deixou quatro soldados feridos, um deles em estado grave. O Exército demoliu a casa de Abu Roub. Tanto Abu Roub quanto Nader - o militante de Tulkarem - estavam em suas casas, apesar de serem fugitivos. Os palestinos procurados encontram cada vez mais dificuldade para se refugiarem na casa de simpatizantes porque os soldados israelenses demolem também as residências daqueles que dão abrigo a militantes foragidos. Ainda nesta quinta-feira, na cidade cisjordaniana de Nablus, soldados israelenses envolveram-se num tiroteio e mataram um suposto militante palestino na região central, conhecida como Casbah, informou o Exército. Um soldado israelense ficou levemente ferido. Mais tarde, soldados voltaram a impor toque de recolher na cidade, confinando dezenas de milhares de pessoas no interior de suas casas até segunda ordem. Os moradores de Nablus foram submetidos a um rigoroso toque de recolher pela maior parte do tempo desde que o Exército do Estado judeu reocupou a cidade em junho. Centenas de pessoas saíram às ruas para protestar contra o toque de recolher e atiraram pedras contra os soldados, que responderam com munição real. Um palestino de 18 anos foi morto e 20 ficaram feridos, três deles em estado grave. Testemunhas comentaram que o jovem morto levava livros nas mãos e não estava envolvido no protesto. Em Belém, soldados voltaram a impor um toque de recolher na cidade e lançaram bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral para obrigar os moradores a voltarem para o interior de suas casas. Os soldados haviam recuado para a periferia da cidade na véspera de Natal. Os soldados israelenses reocuparam todos os grandes centros populacionais palestinos, com exceção de Jericó, após uma série de atentados contra alvos de Israel em meados de junho. Também nesta quinta-feira, fontes ligadas ao Exército de Israel confirmaram a criação de uma zona de contenção de 300 metros de extensão em torno de assentamentos judaicos construídos nos territórios palestinos. As zonas de contenção terão patrulhas reforçadas e torres especiais de observação, disse Raanan Gissin, um conselheiro do primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon. Saeb Erekat, um ministro do gabinete palestino, denunciou as zonas de contenção como uma tentativa de expandir os assentamentos e sabotar um plano de paz apoiado pelos Estados Unidos segundo o qual os palestinos terão um Estado independente em 2005. "Sharon pretende fazer com que em 2005 seja impossível estabelecer um Estado palestino com contigüidade territorial por causa dos assentamentos", denunciou. Mais de 200.000 israelenses vivem em mais de 150 colônias judaicas construídas em diversos pontos da Cisjordânia e da Faixa de Gaza. Militantes palestinos consideram os assentamentos judaicos - construídos nas terras onde eles pretendem ter um Estado - alvos legítimos em sua luta pela independência.

Agencia Estado,

26 Dezembro 2002 | 16h24

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.