Soldados israelenses se recusam a lutar em áreas palestinas

Cinqüenta e dois soldados israelenses da reserva anunciaram nesta sexta-feira que não lutariam mais na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, afirmando que as ações militares na região não visam garantir a segurança de Israel, mas têm o objetivo de controlar os palestinos. Num anúncio publicitário nos jornais israelenses, os soldados, alguns com a patente de major, afirmaram que as severas restrições de movimento impostas por Israel, que confinam muitos palestinos às suas comunidades, punem os palestinos sem necessidade. Israel afirma que as restrições são necessárias para evitar os ataques por parte dos militantes palestinos. "Declaramos que não vamos continuar a combater uma guerra por paz nos assentamentos judaicos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza", dizia o anúncio. "Não continuaremos a lutar do outro lado da Linha Verde com o objetivo de controlar, expulsar, levar à fome e humilhar todo um povo." A Linha Verde se refere à linha indivisível que separa Israel dos territórios que o país tomou na Guerra de 1967. Os soldados escreveram que resolveram parar de servir nas áreas palestinas quando se tornou claro que as ordens do Exército "não tinham nada a ver com segurança, e seu único objetivo é controlar para sempre o povo palestino". Este tipo de crítica feita publicamente por soldados em relação ao Exército tem sido relativamente rara em Israel, embora ao longo dos anos alguns grupos de soldados tenham se recusado a servir, inclusive durante a invasão do Líbano, em 1982, e a primeira rebelião palestina (intifada) contra Israel, entre 1987 e 1993. O anúncio desta sexta-feira marca a primeira vez, desde a explosão da segunda intifada, em setembro de 2000, que um grande número de soldados anuncia que está se recusando a servir nas áreas palestinas. Os homens israelenses cumprem três anos de serviço militar compulsório, e depois ficam na reserva por cerca de um mês todos os anos, até atingir os 40 anos de idade.

Agencia Estado,

25 Janeiro 2002 | 19h29

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.