Soldados matam 16 manifestantes na Tailândia

Militares disparam contra multidão para tentar desocupar parte do centro financeiro de Bangcoc, tomado há 2 meses por opositores ao governo

AP, EFE E AFP, O Estado de S.Paulo

15 Maio 2010 | 00h00

Dezesseis pessoas morreram e 101 ficaram feridas ontem quando soldados tailandeses dispararam contra manifestantes em Bangcoc. A operação militar tentava acabar com a ocupação de áreas do centro da capital, tomadas por opositores desde março.

Na noite de ontem, era possível ouvir explosões e disparos perto do centro financeiro da cidade. Segundo uma TV local, granadas foram lançadas contra um shopping center e uma estação de metrô. Dois jornalistas tailandeses e um canadense foram feridos.

Com a explosão de violência, há menos esperanças de uma resolução pacífica para a crise política tailandesa. O movimento conhecido como "camisas vermelhas", de oposição ao primeiro-ministro, Abhisit Vejjajiva. tem desafiado o estado de emergência, que proíbe, desde abril, reuniões com mais de cinco pessoas em boa parte do país e dá mais poderes à polícia e aos militares.

Desde o início dos protestos, 36 pessoas morreram. Por causa das tensões, o país, que já teve uma das democracias mais estáveis da Ásia, está mergulhado em um clima de incerteza que ameaça a economia e o turismo.

Os conflitos na capital tailandesa recomeçaram na quinta-feira, depois que o general dissidente Khattiya Sawatdiphol recebeu um disparo na cabeça enquanto concedia uma entrevista para um jornal - até a noite de ontem ele estava em coma.

"Estamos cercados. Os soldados estão se aproximando", disse Weng Tojirakarn, um dos líderes dos protestos. Segundo os manifestantes, o governo de coalizão de Vejjajiva chegou ao poder de forma ilegal - manipulando o Judiciário, com o apoio do Exército. Em 2006, os militares expulsaram do país o premiê Thaksin Shinawatra, com o qual os camisas vermelhas simpatizavam.

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