Soldados matam número 3 de cartel do México

Soldados mexicanos mataram o terceiro da hierarquia do cartel de Sinaloa num ataque contra seu esconderijo, o maior golpe já enfrentado pelo mais poderoso grupo de narcotraficantes do país desde que o presidente Felipe Calderón iniciou uma ofensiva militar contra o crime organizado, em 2006. Ignacio "Nacho" Coronel, fundador do comércio de anfetaminas no México, foi morto a tiros quando tentava escapar na cidade de Gadalajara, oeste do país. Autoridades mexicanas disseram que ele disparou contra os soldados quando helicópteros sobrevoavam o local e os agentes se aproximavam.

AE-AP, Agência Estado

30 de julho de 2010 | 11h42

"Nacho Coronel tentou escapar e disparou contra os militares, matando um soldado e ferindo outro", informou o general Edgar Luis Villegas, em coletiva de imprensa na cidade do México. "Respondendo ao ataque, este ''capo'' morreu." De acordo com ele, a morte do líder "afeta significativamente a capacidade operacional e a distribuição de droga da organização controlada por Guzman". Coronel era um aliado próximo do homem mais procurado do México, o líder do cartel de Sinaloa Joaquin "El Chapo"'' Guzman, e era o terceiro na organização, atrás de Ismael "El Mayo" Zambada.

A saída de cena de Coronel aconteceu em meio a persistentes acusações de que o governo de Calderón estaria favorecendo o cartel de Sinaloa ou ao menos não o estaria atacando de forma tão dura quanto outros grupos de narcotraficantes. Essas acusações irritaram o presidente e seus principais auxiliares de segurança, que apontaram a prisão de Vicente "El Vicentillo" Zambada, irmão de Ismael Zambada, em 2009, como prova de que o grupo é combatido.

A morte de Coronel também foi o maior golpe contra os cartéis mexicanos desde que Arturo Beltran Leyva e seis de seus guarda-costas foram mortos, no último 16 de dezembro, por fuzileiros navais na cidade de Cuernavaca, região central do México. Beltran Leyva, cujo grupo fora aliado ao cartel de Sinaloa no passado, havia se tornado inimigo da organização de Guzman na época de sua morte.

Pioneiro

Coronel pode ter sido "o precursor da produção de grandes quantidades de metanfetamina em laboratórios clandestinos no México, que eram então contrabandeados para os Estados Unidos", informou o FBI (a Polícia Federal norte-americana), que ofereceu uma recompensa de US$ 5 milhões pelo criminoso, de 56 anos. Ele controlava o tráfico nos Estados mexicanos de Jalisco, Colima e em partes de Michoacan - a "rota do Pacífico" de tráfico de cocaína.

"A abrangência de sua influência e de suas operações chegam aos Estados Unidos, México e a vários países da Europa, América Central e América do Sul", segundo comunicado do FBI. O governo mexicano afirmou Coronel administrava sua célula criminosa de Zapopan, um rico subúrbio onde já ocorreram prisões de outros integrantes do cartel. O filho de Guzman foi acusado de matar duas pessoas do lado de fora de um bar do bairro em 2004.

Em 2006, ações da policia federal em quatro residências em Zapoan resultaram na prisão de cinco subordinados de Coronel e na apreensão de mais de US$ 2 milhões em dinheiro, além de relógios caros e joias, mas não conseguiu deter o próprio líder.

Braço direito

Durante a ação de ontem, os soldados fizeram buscas em pelo menos duas casas e detiveram Francisco Quinonez Gastelum, que seria o braço direito de Coronel e o único associado com permissão para acompanhá-lo em sua mansão. "Coronel usava duas casas como caixas fortes e empregava a tática de ser acompanhado apenas por Quinonez Gastelum, para manter a discrição e não atrair atenção para si mesmo", disse Villegas.

Coronel nasceu no Estado de Durango, sul do país, e foi preparado para ser um senhor das drogas desde pequeno. Ele surgiu sob o comando de Amado Carrillo Fuentes, conhecido como "Senhor dos Céus" e líder do cartel de Juárez, que morreu em 1997. Após a morte de Carrillo, Coronel se uniu ao cartel de Sinaloa e subiu na hierarquia do grupo até se tornar o número 3 na liderança.

Pouco se sabe sobre ele. Na lista dos mais procurados do site da promotoria federal do México há três fotografias de Coronel com seu apelido, "Nacho". Porém, não há informações sobre idade, local exato de nascimento ou características pessoais.

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