Soldados ocupam capital da Tunísia após distúrbios violentos

Governo diz que 23 morreram, mas número de vítimas pode ser o dobro; Ministro do Interior é sacado

Reuters

12 de janeiro de 2011 | 09h41

Blindados patrulham ruas de Túnis.

 

TUNIS - Soldados foram mobilizados na quarta-feira, 12, no centro de Túnis, capital da Tunísia, por causa de uma onda de distúrbios que já matou ao menos 23 pessoas na Tunísia e que durante a noite se espalhou pela primeira vez até a capital.

Na principal avenida da cidade, dois veículos militares estavam estacionados em frente à Embaixada da França, e dois soldados armados patrulhavam as ruas. Perto do centro da cidade, dois blindados vigiavam o acesso à sede da TV estatal.

Também nesta quarta-feira, o presidente do país, Zine al-Abidine Ben Ali, anunciou a demissão do ministro do Interior e determinou a libertação de todas as pessoas detidas na onda de protestos violentos, informou o primeiro-ministro Mohamed Ghannouchi. O presidente também determinou a criação de um comitê especial para investigar denúncias de corrupção contra autoridades.

Na terça-feira à noite, policiais fizeram disparos para o alto e usaram gás lacrimogêneo para tentar dispersar uma multidão que saqueava prédios num subúrbio da capital. Segundo o governo, 23 pessoas morreram, mas organizações independentes afirmam que as vítimas já são 46.

Os manifestantes reivindicam empregos e melhores condições de vida. Eles também reclamam da corrupção, do que consideram um governo repressor e pedem a renúncia do presidente. As autoridades, no entanto, dizem que os protestos - os piores nos 23 anos do governo de Zine al-bidine Ben Ali - foram dominados por uma minoria violenta.

Em Washington, o Departamento de Estado dos EUA se disse "profundamente preocupado com relatos de uso excessivo de força por parte do governo da Tunísia".

As autoridades locais dizem que os civis mortos no interior do país foram vítimas de disparos feitos pela polícia em situação de legítima defesa.

 

Os manifestantes reivindicam empregos e melhores condições de vida.

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