Soldados ocupam palácio presidencial em Madagáscar

Dezenas de soldados ocuparam hoje um palácio presidencial na capital. Aparentemente, o palácio tomado estava vazio e o presidente estava em outro palácio de Antananarivo. Os soldados provocaram explosões e realizaram disparos no local. Não houve ainda resposta dos militares para o pedido da oposição. Também nesta segunda-feira o líder da oposição de Madagáscar pediu a prisão do presidente do país. A luta da dupla pelo poder parece perto de um momento decisivo no início desta semana.

AE-AP, Agencia Estado

16 de março de 2009 | 16h03

Na manhã de hoje, foram ouvidas explosões perto do palácio presidencial. Uma emissora privada ligada ao presidente Marc Ravalomanana informou que granadas foram lançadas contra veículos para atemorizar os partidários do presidente. A emissora pediu que mais pessoas sigam até o palácio para proteger Ravalomanana. Não houve relatos sobre feridos.

Uma facção do Exército declarou que não mais aceitará ordens do presidente Ravalomanana, mas recusa-se a explicitamente apoiar o líder oposicionista Andry Rajoelina. O oposicionista se declarou presidente de um governo de transição no fim de semana. Mas Ravalomanana afirma que não cederá o poder. Os dois conseguiram mobilizar multidões para suas manifestações nos últimos dias e não está claro quem tem mais apoio popular, após semanas de confrontos.

A aparente cisão militar, além de enfraquecer o presidente, gera dúvidas sobre a possibilidade de um período de violência. Hoje, durante uma manifestação na capital, um assessor que Rajoelina qualifica como seu ministro da Justiça disse que Ravalomanana deveria ser preso. Na capital etíope, Adis-Abeba, o embaixador de Madagáscar na União Africana, Jean Pierre Rakotoarivony, disse que Rajoelina tentava dar um golpe e poderia ser julgado.

Rakotoarivony disse que um referendo, proposto pelo atual presidente, poderia ser realizado em três meses. Os eleitores decidiriam se confiam ou não no presidente. Caso não confiem mais, haveria novas eleições. Rajoelina porém rejeitou hoje o referendo. Segundo ele, o povo já apoia a saída do presidente e é isso que deve ocorrer.

Crise

Há bastante tensão na empobrecida ilha no Oceano Índico desde que Rajoelina iniciou protestos de rua no fim do ano passado. Ele acusa o presidente de corrupção e de minar a democracia. A União Africana pediu aos rivais que negociem. Diplomatas já advertiram que a crise ameaça o auxílio enviado a Madagáscar. O país é conhecido por sua bela vida selvagem, que atrai muitos ecoturistas, mas também pelo histórico de turbulência política.

A tensão começou a piorar em janeiro, quando o governo bloqueou o sinal de uma emissora de rádio da oposição. A atitude gerou confrontos entre partidários do governo e da oposição que terminaram com vários mortos. Dias depois, soldados abriram fogo contra partidários da oposição, matando pelo menos 25 pessoas.

O incidente custou ao presidente boa parte de seu apoio entre os militares, pois eles afirmam que ele deu a ordem para se disparar nos manifestantes. Na semana passada, o chefe das Forças Armadas entregou o poder a um militar que lidera os amotinados.

Tudo o que sabemos sobre:
Madagáscarcrisepolítica

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.