Soldados reprimem a tiros novas manifestações em Rangun

Polícia invadiu mosteiros e prendeu centenas de monges durante a madrugada; pelo menos uma pessoa morreu

Efe,

27 de setembro de 2007 | 06h55

As forças de segurança deram tiros de advertência, lançaram bombas de gás lacrimogêneo e detiveram mais de 100 pessoas para dispersar os manifestantes, entre eles vários monges budistas, que voltaram a protestar contra a Junta Militar de Mianmá, nesta quinta-feira, 27, em Rangun.   Veja também Entenda a crise e o protesto dos monges  Austrália adota sanções financeiras contra Junta de Mianmá Mulher e filha de chefe da Junta Militar deixam Mianmá Hill defende conversa entre China e EUA sobre Mianmá Polícia ataca mosteiros em Rangun; um morto e sete feridos População apóia protesto dos monges em Mianmá   Milhares de manifestantes, cerca de 70 mil segundo algumas fontes, chegaram a se reunir nesta quinta no centro de Rangun. Eles gritaram palavras de ordem contra o regime militar, como "Venceremos".   Mais de 800 monges foram detidos durante as batidas da noite de quarta-feira e madrugada desta quinta em quatro mosteiros de Rangun. Um bonzo morreu e sete foram feridos, informaram testemunhas às rádios da dissidência.   As fontes disseram que 200 monges foram detidos quando os militares atacaram dois templos no centro de Rangun. Os outros são dos mosteiros de Maha Bawdi Pariyatti e Ngwe Kyaryan, na periferia da maior cidade de Mianmá.   Fontes do partido de oposição Liga Nacional para a Democracia (LND) informaram que também foi detido o seu porta-voz, Mynt Thein, um dos homens de confiança de Aung San Suu Kyi, líder oposicionista e Prêmio Nobel da Paz.   Suu Kyi, acusada pelas autoridades de incitar os protestos, foi levada na quarta-feira para a prisão de Insein, nos arredores de Rangun. No local estão presos muitos dos 1.100 presos políticos birmaneses.   Desde 2003, a líder oposicionista estava em prisão domiciliar. No sábado, ela foi vista na entrada de sua casa, em Rangun, saudando uma das manifestações pacíficas dos monges.   As manifestações ficaram violentas nesta quarta-feira, quando cinco pessoas, entre elas três monges, foram mortas a tiros ou por causa dos golpes que receberam das forças de segurança na cidade de Rangun, a maior do país. O protesto reuniu cerca de 100 mil pessoas, que exigiam a democratização do país.   Num boletim oficial divulgado na quarta-feira à noite, o governo admitiu apenas que uma pessoa morreu e três foram feridas.   Após os incidentes, um comunicado conjunto emitido pela Associação de Todos os Monges Budistas de Mianmá e pela Geração de Estudantes de 88 anunciou novas manifestações em Rangun e outras cidades do país.   Nas principais cidades, está em vigor desde terça-feira o toque de recolher noturno. Além disso, assembléias e reuniões de mais de cinco pessoas estão proibidas.   Em 1990, os militares ocuparam templos budistas na cidade de Mandalay e detiveram milhares de bonzos, que boicotavam as doações do Exército em resposta às tentativas do regime de controlar a religião.

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