Soldados se vangloriam por ter atacado ilha sul-coreana

Soldados da Coreia do Norte se vangloriaram na televisão estatal por ter bombardeado uma ilha sul-coreana em um ataque de artilharia no mês passado. Pyongyang afirma que retaliou após a Coreia do Sul disparar em suas águas territoriais durante um exercício, já Seul admite o exercício militar, mas nega ter disparado nas águas do vizinho.

AE, Agência Estado

26 de dezembro de 2010 | 08h50

O ataque de 23 de novembro matou dois militares e dois civis sul-coreanos, na ilha Yeonpyeong, perto da tensa fronteira marítima entre as nações. A retórica norte-coreana aumentou nos últimos dias. Na sexta-feira, comemorou-se o 19º aniversário da nomeação de Kim Jong-il como comandante militar supremo do país. O chefe militar de Kim ameaçou na semana passada lançar uma "guerra santa" nuclear contra a Coreia do Sul.

Na sexta-feira, soldados norte-coreanos apareceram na TV estatal e se gabaram de participar do ataque ao vizinho. O soldado Kim Moon Chol afirmou que o vizinho havia atacado "em nossas águas sagradas", o que motivou a ação.

Nos últimos dias, a Coreia do Sul realizou vários exercícios militares, incluindo um na ilha Yeonpyeong em 20 de dezembro, em uma mostra de força. A partir de amanhã, os militares sul-coreanos planejam exercícios marítimos de rotina.

A mídia estatal da Coreia do Norte afirmou hoje que o exercício militar de 20 de dezembro em Yeonpyeong mostrou a intenção de Seul de combater o vizinho até o fim.

O estatal Instituto para a Estratégia de Segurança Nacional, em Seul, divulgou relatório hoje, no qual afirma que Pyongyang pode invadir diretamente Yeonpyeong e outras ilhas fronteiriças do Mar Amarelo no próximo ano, informou a agência de notícias Yonhap. O estudo vincula a beligerância atual do vizinho às medidas para transferência de poder na Coreia do Norte, de Kim para seu filho mais novo, Kim Jong-un.

O analista Paik Hak-soon, do instituto privado Sejong, que fica perto de Seul, previu que Pyongyang não atacará o vizinho dias antes do planejado encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e seu colega chinês, Hu Jintao, em 19 de janeiro.

As duas Coreias estão tecnicamente em guerra, pois a Guerra da Coreia nos anos 1950 terminou em um armistício, mas não com um tratado de paz. Nos últimos anos, houve vários pequenos incidentes perto da disputada fronteira marítima a oeste da península coreana, desenhada pelas Nações Unidas após o fim da Guerra da Coreia. As informações são da Associated Press.

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