Soldados ucranianos vão para Rússia após confronto

Um oficial de segurança russo disse nesta segunda-feira que mais de 400 soldados ucranianos entraram na Rússia, embora os dois lados apresentem relatos conflitantes sobre a razão pela qual eles teriam entrado em território russo.

Estadão Conteúdo

04 de agosto de 2014 | 12h29

Segundo a fonte russa, os soldados ucranianos desertaram e a Rússia abriu um corredor de segurança. Já um oficial do Exército da Ucrânia, que não forneceu o número de soldados envolvidos, disse que eles foram forçados a entrar em território russo por causa do fogo rebelde, após ficarem sem munição.

Separatistas pró-Rússia no leste da Ucrânia combatem soldados ucranianos desde abril, conflito que já matou pelo menos 1.129 civis, segundo estimativa da Ucrânia.

Kiev e países ocidentais acusam a Rússia de fornecer equipamentos e conhecimento aos rebeldes, afirmação que o governo russo nega.

O Ocidente também acusa a Rússia de ter, muito provavelmente, fornecido aos insurgentes o míssil terra-ar que teria derrubado o avião de passageiros da Malaysia Airlines em território dominado pelos rebeldes no dia 17 de julho, matando todas as 298 que estavam a bordo. Um avião holandês com restos mortais e pertences das vítimas decolou de Carcóvia nesta segunda-feira.

A agência de notícias Interfax informou nesta segunda-feira que a Força Aérea russa iniciou exercícios militares nas regiões central e oeste do país, medida que pode elevar as preocupações de que Moscou estaria se preparando para usar suas forças militares na Ucrânia.

Os Exercícios terão início na segunda-feira e vão até sexta-feira, informou o chefe da Força Aérea Igor Klimov à Interfax, e vai envolver mais de 100 jatos e helicópteros.

Vasily Malayev, chefe da patrulha de fronteira do Serviço de Segurança Federal na região de Rostov, disse que 438 soldados ucranianos cruzaram para o lado russo nesta segunda-feira. Segundo ele, os russos permitiram que os soldados entrassem em segurança no país durante a noite.

A agência de notícias Itar-Tass citou Malayev dizendo que 180 soldados pediram para ser enviados de volta à Ucrânia e que o governo russo vai ajudá-los a voltar para seu país. Não foi possível entrar em contato com o Ministério da Defesa russo para confirmar as informações.

Já o Exército ucraniano confirmou que parte de uma brigada muito provavelmente cruzou para o território russo, embora conteste a versão russa e não diga quantos soldados foram para o outro lado da fronteira.

O porta-voz da operação militar ucraniana no leste, Oleksiy Dmitrashkovsky, disse que tropas da 72º Brigada foram encurralados em suas posições e ficaram sob intensos disparos de forças separatistas.

Os combatentes rebeldes usaram tanques, morteiros, artilharia e lançadores de mísseis Grad durante quatro horas, disse Dmitrashkovsky e, eventualmente, a brigada foi forçada a se dividir em duas partes.

"Uma saiu para juntar forças com uma unidade de apoio. A outra, tinha a tarefa de fornecer cobertura", afirmou Dmitrashkovsky. "Ao fazer isso, eles dispararam suas armas até acabar a munição. A seguir, abandonaram suas posições e chegaram a um local perto de uma passagem de fronteira para o território russo."

Dmitrashkovsky disse que era muito cedo para confirmar quantos soldados haviam cruzado para o território russo. "Não temos esta informação. Os russos podem reivindicar o que quiserem." Fonte: Associated Press.

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