Solicitação na ONU deixa palestinos orgulhosos, mas desconfiados

"Com nossa alma e nosso sangue, nos sacrificamos pela Palestina," cantavam milhares de pessoas que se reuniram numa praça no centro de Ramallah para assistir ao presidente Mahmoud Abbas fazer o principal discurso de seu governo.

TOM PERRY, REUTERS

23 Setembro 2011 | 15h33

Mas o orgulho sentido pela multidão enquanto Abbas fazia a solicitação em nome do Estado palestino na Organização das Nações Unidas (ONU) foi temperado pela desconfiança proveniente da dura oposição feita pelos Estados Unidos e por Israel a qualquer mudança no status internacional da Cisjordânia ocupada pelos israelenses e da Faixa de Gaza.

"Viemos participar com nosso povo na solicitação por nossos direitos," disse Mohammed Hamidat, de 40 anos, que assistiu ao desenrolar dos eventos em uma tela gigante ao lado da mulher e dos quatro filhos agitando bandeiras palestinas.

"Com os atuais horizontes fechados, é a única coisa que podemos fazer, mesmo que o resultado seja o fracasso. Há anos que não vemos nada novo: este é um primeiro passo."

Alguns criticaram a ameaça do presidente Barack Obama de vetar qualquer proposta de Estado palestino apresentada no Conselho de Segurança da ONU, sem um acordo de paz com Israel, com o apoio dele aos levantes populares no mundo árabe.

"Há um grande orgulho. Nós apoiamos o presidente. Obama falou sobre liberdade no mundo árabe, mas esqueceu que o povo palestino está sob ocupação," disse Tawfiq Nimr, de 63 anos.

Aplausos, assovios e gritos ecoaram quando Abbas apresentou a solicitação formal ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e acenou à Assembleia Geral.

"Ele foi forte, o primeiro líder árabe a desafiar Obama. Este é um momento histórico na vida dele," disse Badr Abdel Razeq, de 35 anos, que também levou seus três filhos para testemunhar o momento.

Não havia sinal de violência organizada palestina na Cisjordânia, como temido por alguns israelenses que estavam preocupados de que a oposição de Israel à maior iniciativa diplomática palestina em anos pudesse deflagrar confrontos com as forças de segurança de ocupação.

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