Solo de Fukushima precisará de limpeza intensiva, diz especialista

Descontaminação é necessária para que evacuados possam retornar as suas casas; terreno pode ter absorvido mais de 1,48 milhão de becquerel de césio radioativo por metro quadrado

Efe,

25 de maio de 2011 | 03h09

TÓQUIO - A descontaminação intensiva do solo será indispensável para que os evacuados das zonas que cercam a usina nuclear de Fukushima possam voltar a suas casas, segundo explicou nesta quarta-feira, 25, um especialista à Comissão de Energia Atômica do Japão.

 

Tomio Kawata, investigador da Organização para a Gestão de Resíduos Nucleares japonesa, apresentou perante a comissão um estimativa da contaminação no solo da região baseando-se nos níveis de radiação no ar recolhidos pelo Ministério da Ciência.

 

Segundo a avaliação de Kawata, o solo em uma zona de 600 quilômetros quadrados ao noroeste da central pode ter absorvido mais de 1,48 milhão de becquerel de césio radioativo por metro quadrado, que foi o limite estabelecido para a evacuação obrigatória nos limites da acidentada usina de Chernobyl.

 

Kawata também assinalou que a extensão total das áreas contaminadas constitui apenas entre 10% e 20% da área afetada pela radiação emitida pela usina ucraniana, que sofreu em 1986 o pior acidente nuclear da história.

 

Calcula-se que a exposição radioativa a 1,48 milhão de becquerel por metro quadrado esteja em torno de cinco milisieverts ao ano, muito abaixo do limite de 20 milisieverts anuais estabelecido pelo Governo japonês para a evacuação.

 

No entanto, o estudo de Kawata assegura que será necessário descontaminar intensivamente o solo antes do retorno dos evacuados, já que o césio adere fortemente à terra e torna difícil a redução dos níveis de radiação a longo prazo.

 

O terremoto e o tsunami de 11 de março danificaram gravemente as instalações da usina, operada pela Tokyo Electric Power Company (Tepco), que nesta quarta-feira indicou que a estrutura de contenção primária do reator 1 ficou danificada.

 

A companhia elétrica assinalou que o combustível fundido da unidade fez com que a temperatura da estrutura alcançasse 300 graus centígrados 18 horas depois do terremoto, o dobro do que pode suportar, pelo que é muito provável que esteja perfurada e vazando água radioativa ao edifício que abriga a unidade.

 

Na terça-feira, a Tepco comunicou que o combustível dos reatores 2 e 3 também se fundiu parcialmente, embora se mantenha, assim como na unidade 1, resfriado de maneira estável.

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