Solução para Oriente Médio não virá com ataques, diz Papa

Expressando sua angústia pelo derramamento de sangue na Terra Santa, o papa João Paulo II lançou neste domingo uma de suas mais enérgicas e emocionadas denúncias sobre a violência no Oriente Médiio, lamentando que os palestinos sejam submetidos a um "castigo coletivo" e que os israelenses vivam atemorizados por ataques contra suas vidas. "Quando aprenderemos que a coexistência entre os povos israelense e palestino não pode ser alcançada pelas armas? Nem os ataques, nem os muros de separação, nem as represálias jamais levarão a uma justa solução do conflito existente", disse João Paulo em um sermão aos peregrinos no pátio de sua residência de verão em Castegandolfo, uma localidade situada nas colinas perto de Roma. "O papa sofre junto com aqueles que, em luto, se lamentam pelas mortes e destruição", destacou o pontífice, acrescentando que ele está "próximo, sobretudo, desses muitos inocentes que pagam o preço dessa violência". O Santo Padre, sentado em uma cadeira, parecia frágil, enquanto um incomum vento frio de verão agitava seus cabelos e empurrava parte de sua túnica sobre seu rosto. Mas pareceu elevar a voz para fazer uma de suas mais categóricas denúncias sobre a violência, o temor e as penúrias que passaram a fazer parte das vida diária dos israelenses e palestinos. "Desejo repetir a todos, e ao grupo étnico a que pertençam, que não existe justificativa para quem mata civis indefesos de uma maneira indiscriminada", disse o papa. João Paulo II rendeu tributo ao sofrimento de ambos os povos nas últimas décadas: aos palestinos "expulsos de suas próprias terras, ou obrigados, em décadas recentes, a viver em um estado de sítio permanente, praticamente como o objeto de um castigo coletivo", e aos israelenses, que vivem sob o diário terror de ser objeto de atacantes anônimos".

Agencia Estado,

11 Agosto 2002 | 16h25

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