Solução política está mais distante, diz analista

Apesar de suas ofertas de diálogo, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) deram violentas demonstrações de que não aceitam a rendição. Desde a posse do presidente Juan Manuel Santos, mais de 40 policiais e soldados foram mortos em atentados e ações armadas. Bogotá mantém a ofensiva militar e diz que negociará após a desmobilização do grupo. Com a morte de "Mono Jojoy", o cenário mudou. Enfraquecida, a guerrilha fica sem muitas alternativas e, segundo analistas, continuará fazendo demonstrações de que tem força suficiente para convocar o governo para o diálogo político.

Talita Eredia, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2010 | 00h00

"Com os atuais confrontos, o cenário da solução política fica mais distante. Esse tipo de operação, que acaba de resultar na morte de "Mono Jojoy", certamente mostra a política de segurança que o governo colombiano busca - a de que não haverá nenhum tipo de solução política se a guerrilha não se desarmar, se desmobilizar e se adequar aos critérios de institucionalização. Sem contar com essa possibilidade, a guerrilha continuará a atuar para não negociar enfraquecida", disse ao Estado o analista político Carlos Medina, da Universidade Nacional da Colômbia.

Com as falsas propostas de diálogo, as Farc podem ainda tentar ganhar tempo para se restabelecer, como fizeram quando manipularam a aberturas a conversas diálogo anteriores. Analistas acreditam que o grupo pode voltar a adotar táticas de guerrilha mais tradicionais, como os ataques com pequenos grupos e o uso de minas e atiradores.

Além do enfraquecimento militar, as exigências do grupo para negociar com o governo também perderam força. As bases americanas em território colombiano foram temporariamente suspensas, o governo apresentou a lei para Restituição de Terras, caminhando para uma reforma agrária - principal bandeira do grupo -, e conteve a influência do presidente venezuelano, Hugo Chávez, no conflito interno colombiano. Agora, o Exército deve aumentar a presença na área do acampamento de "Mono Jojoy", uma das mais importantes da guerrilha. A gigantesca mobilização militar para desmantelar somente um campo rebelde seria um dos sinais da permanência dos soldados na região.

"Santos manteve a estratégia de acabar com o secretariado das Farc, com a premissa de que, acabando com a direção da guerrilha, o grupo entrará num processo de desmobilização e deserção. O cálculo é que, acabando com a liderança das Farc, o grupo acaba", disse Medina.

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