Somália autoriza Rússia a usar força contra piratas

Navio russo com 33 tanques de guerra a bordo segue seqüestrado; eles pedem resgate de US$ 20 milhões

Reuters e Efe,

01 de outubro de 2008 | 15h19

Autoridades da Somália deram à Marinha russa o sinal verde para o uso da força contra piratas que mantêm seqüestrado um navio ucraniano com 33 tanques de guerra a bordo, informou uma autoridade marítima nesta quarta-feira, 1. A Rússia enviou um navio de guerra, mas ele ainda não chegou à Somália, onde homens armados pedindo resgate de US$ 20 milhões tomaram o navio MV Faina na semana passada. Navios da marinha dos Estados Unidos estão observando a embarcação, que foi seqüestrada perto de uma das mais movimentadas rotas de transporte marítimo do mundo.  Veja também:Piratas da Somália trocam tiros à bordo de navio seqüestrado "O governo somali deu a permissão para que a Marinha russa adentre em águas somalis e use a força", disse Andrew Mwangura, uma autoridade do Programa do Leste da África para o Auxílio a Navegantes, baseado em Mombasa.  "Em nome das famílias dos marinheiros, estamos pedindo para que não usem a força, pois isso colocará os homens em perigo", acrescentou. O seqüestro chamou atenção da comunidade internacional para a crescente presença de piratas em uma das áreas de navegação mais movimentadas do mundo. A observação de embarcações norte-americanas também levantou questões sobre o destino da carga do navio seqüestrado.  Os países estrangeiros também têm permissão para usar a força se necessário para encerrar um seqüestro, afirmou um funcionários d Ministério das Relações Exteriores da Somália nesta quarta-feira. A condição para isso é que haja coordenação com o governo somali antes de um eventual ataque. Mohamed Jama Ali, o vice-diretor permanente do ministério, disse que "a comunidade internacional tem o direito de lutar com os piratas. "A permissão para o uso da força foi dada", completou. O Quênia diz que os tanques T- 72, os lançadores de granada e a munição presentes na embarcação seriam entregues a suas Forças Armadas. Os EUA, no entanto, acreditam que a carga seria enviada ao sul do Sudão por meio da cidade portuária de Mombasa.  Valendo-se da situação caótica verificada na Somália, onde militantes islâmicos iniciaram uma insurgência quase dois anos atrás, os piratas somalis capturaram mais de 30 navios neste ano e atacaram outros tantos.  A maior parte das investidas ocorreram no golfo de Áden, entre o Iêmen e o norte da Somália, uma importante rota marítima usada por 20 mil embarcações por ano que saem ou chegam ao canal de Suez. Os piratas rebateram nesta quarta-feira as notícias sobre a morte de três deles na terça-feira, em um tiroteio entre rivais que se desentenderam a respeito do que fazer com a embarcação.  Segundo Mwangura, o navio seqüestrado é de propriedade de uma empresa com sede no Panamá dirigida por ucranianos. Há 20 tripulantes a bordo. Um russo que estava doente acabou morrendo. A maior parte da tripulação é de ucranianos. Além deles, há no navio dois russos e um letão.  Mwangura acrescentou que os seqüestradores estão em contato com os empresários por telefone, mas as negociações "devem demorar porque a empresa ucraniana não deseja pagar tudo isso (pela liberação do navio)."  Uma autoridade da Somália disse que o governo estava pronto para trabalhar com qualquer país para combater os grupos armados. "Nós já permitimos que o mundo nos ajude contra os piratas e a Rússia é parte do mundo, mas com a condição de que coordenem as operações conosco", disse à Reuters Mohamed Jama Ali, secretário permanente no Ministério das Relações Exteriores.  Grupos internacionais de transporte marítimo pediram no mês passado que potências navais façam mais para conter a pirataria na região.

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