Somália foi a pior tragédia de 2008, diz MSF

ONG publicou lista anual com as 10 piores tragédias do ano ao redor do mundo.

Da BBC Brasil, BBC

22 de dezembro de 2008 | 11h42

A crise da Somália foi a pior tragédia humana de 2008, segundo a lista das 10 piores tragédias, publicada anualmente pela organização não-governamental Médicos Sem Fronteiras.Os combates entre forças pró-governo e milícias islâmicas já fizeram com que mais de um milhão de pessoas deixassem suas casas no país. Cerca de um terço da população - 3 milhões de pessoas - depende de doações de comida, mas os ataques de piratas e de militantes tornam cada vez mais difícil o trabalho das agências humanitárias e ONGs como a Médicos Sem Fronteiras na Somália. A MSF, fundada em 1971, declarou que neste ano teve que trabalhar em muitos países onde as circunstâncias estão cada vez piores e mais ameaçadoras.Além do conflito na Somália, a ONG cita os conflitos em Darfur (Sudão), República Democrática do Congo, Zimbábue, Paquistão, Mianmar e Iraque, além da desnutrição infantil, a Aids e a tuberculose nos países em desenvolvimento.O diretor da MSF nos Estados Unidos, Nicolas de Torrente, disse à BBC que a lista tem como objetivo chamar a atenção para os lugares onde as pessoas sofrem mais."A questão para nós é como chegar até essas pessoas e como tentar provê-las com alguma assistência substancial, mais aí encontramos muitos obstáculos", disse ele."Os governos não querem nossa presença - eles temem a exposição que vem com ela. Eles querem negar assistência àquelas populações e, cada vez mais, vemos ataques, ataques direcionados, contra os trabalhadores de missões de ajuda."Na Somália, os ataques diretos e as ameaças contra os trabalhadores sociais restringiram as operações humanitárias no país, provocando a retirada de trabalhadores internacionais e reduzindo significativamente a ajuda para a população, já debilitada.A mesma coisa ocorre no noroeste do Paquistão, afirma a organização, prejudicando a ajuda prestada àqueles que fogem das lutas.A MSF indica que a segurança na região de Darfur, no Sudão, também piorou consideravelmente em 2008, e como resultado, centenas de milhares de pessoas continuam sem acesso à ajuda humanitária.Na República Democrática do Congo, a falta de segurança também tornou muitos locais muito perigosos para os trabalhadores humanitários.A ONG destacou ainda as crises em Mianmar e Zimbábue. Em Mianmar, centenas de milhares de pessoas morreram de Aids porque o governo não tomou as medidas necessárias.No Zimbábue, a inflação galopante deixou muitos soropositivos sem ter sequer o dinheiro da passagem de ônibus para uma visita à clínica, disse Torrente.As outras crises incluem a desnutrição infantil em todo o mundo e um déficit de ajuda no Iraque.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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