Somália liberta funcionário da ONU preso em Mogadiscio

Nações Unidas interromperam distribuição de alimentos após detenção de diretor do programa da cidade

Efe e Associated Press,

23 de outubro de 2007 | 09h42

O governo da Somália libertou nesta terça-feira, 23, o diretor do Programa Mundial de Alimentos (PMA) em Mogadiscio, Idris Mohammed Osman, segundo confirmação de fontes da agência da ONU. Após a prisão de Osman, no último dia 17, o PMA decidiu congelar a distribuição de alimentos, que tinha sido reatada dois dias antes após quatro meses de paralisação em função de ataques sofridos por alguns dos seus comboios. Osman foi detido há seis dias, quando um grupo de militares das forças do governo invadiu a sede do órgão na capital do país. O diretor do Serviço de Segurança Nacional da Somália, general Mohammed Warsame Hassan Darwish, disse que Osman foi posto em liberdade pagando uma fiança e permanecerá sob investigação por tempo indeterminado. "A imunidade de qualquer funcionário não significa que tenha o direito de violar as normas internas do país, a lei prenderá e punirá os que forem culpados", afirmou Darwis. "As alegações contra Osman são relacionadas com as medidas de segurança que ele violou, e comunicaremos quando a investigação for concluída", acrescentou. Segundo a BBC, o programa afirmou que cerca de 60 soldados invadiram o local e levaram Osman sem mais explicações. Por trás deste incidente poderia estar o conflito que se arrasta há meses entre as organizações humanitárias e o governo de transição somali sobre a ajuda fornecida às pessoas que fugiram de Mogadiscio e que se refugiaram nos arredores da capital desde março. A situação pôs em risco a sobrevivência de 1,5 milhão de pessoas que precisam de assistência urgente devido ao conflito armado registrado no país desde o começo da década passada, segundo a ONU. O governo acusou os fugitivos de serem familiares de terroristas e pediu às agências humanitárias que não forneçam a eles nenhum tipo de ajuda, enquanto a ONU os considera civis inocentes deslocados de seus lares. Quando começaram os choques de março, que deixaram mais de mil mortos, cerca de 350 mil pessoas se deslocaram para os arredores da capital.

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