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Somália: líderes islâmicos negociam com governo de transição

Líderes de uma milícia islâmica que assumiu o controle total da capital da Somália no início da semana ingressaram nesta quinta-feira em negociações com o governo de transição do país, apoiado pela Organização das Nações Unidas (ONU).A milícia União das Cortes Islâmicas assumiu o controle de Mogadiscio e de áreas adjacentes na segunda-feira, quando expulsou da capital uma aliança de senhores de guerra seculares apoiada pelos Estados Unidos e assumiu o total controle da cidade.O fraco governo de transição, abalado por crises internas e pelo caos que impera no país, não conseguiu nem ao menos estabelecer-se em Mogadiscio, a capital somali. Ele opera a 250 quilômetros dali, na cidade de Baidoa.Nesta quinta-feira, dois ministros do governo interino reuniram-se com "os principais líderes da União das Cortes Islâmicas" em Mogadiscio, disse Abdirahman Nur Mohamed Dinari, porta-voz do governo interino.A reunião expôs o grau de influência política da milícia islâmica depois de semanas de violentos choques que resultaram na morte de pelo menos 330 pessoas em Mogadiscio.Enquanto isso, cerca de 2 mil pessoas saíram às ruas de Mogadiscio para protestar contra a milícia islâmica, expondo a dificuldade que o grupo terá para manter a capital em suas mãos sem apoio externo.A crescente influência da milícia gera temores de que toda a Somália fique sob influência de líderes simpáticos à rede extremista Al-Qaeda. Participação americana Sob condição de anonimato, fontes no governo americano confirmaram que Washington coopera com os senhores da guerra seculares. Os funcionários não falam abertamente sobre o assunto por causa da gravidade da situação.Numa carta enviada aos Estados Unidos e a outros governos, o xeque Sharif Ahmed, líder da União das Cortes Islâmicas, escreveu que os americanos têm parte da culpa pelo derramamento de sangue."O suposto apoio do governo americano a esses senhores da guerra contribuiu consideravelmente para a escalada dos choques recentes em Mogadiscio e para a morte do povo somali, que há muito tempo sofre nas mãos dos senhores da guerra", escreveu.Em Washington, o porta-voz da chancelaria americana confirmou o recebimento da carta. Segundo o porta-voz Sean McCormack, a percepção atual dos EUA é de que há elementos no grupo islâmico realmente engajados na restauração da ordem em Mogadiscio.A Somália afundou no caos a partir de 1991, quando senhores da guerra derrubaram o então ditador Mohamed Siad Barre e depois voltaram-se uns contra os outros. Desde então, o país encontra-se sem um governo central.

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