Somália pede ajuda de muçulmanos do mundo todo

Islâmicos da Somália pediram neste sábado que soldados muçulmanos estrangeiros unam-se à sua "guerra santa" contra a Etiópia, após dias de intensas batalhas entre os as tropas islâmicas e pró-governo. Desde terça-feira soldados islâmicos e pró-governo combatem disparando foguetes e artilharia e deixando dezenas de mortos e centenas de feridos. Segundo moradores, a batalha teve uma pausa no início deste sábado. "Nosso país está aberto para muçulmanos do mundo todo. Deixe-os lutar na Somália e fazer a jihad, e, se Deus quiser, atacar Adis Abeba", afirmou o chefe de defesa muçulmano Yusuf Mohamed Siad "Inda´ade," na primeira ameaça dos islâmicos de levar a batalha à capital da Etiópia. "Dissemos ao mundo para acabar com esse problema. Dissemos a eles para fazer algo antes que isso se torne uma guerra incandescente que tomará a região", disse ele aos repórteres na fortaleza muçulmana de Mogadíscio. O conflito mais longo até hoje entre os dois lados intensificou as preocupações quanto a uma grande guerra regional que acabe envolvendo os rivais do Chifre da África Etiópia e Eritréia. Diplomatas temem que o conflito somali também possa provocar o surgimento de homens-bomba no leste da África. A Etiópia desconsiderou o pedido de ajuda dos muçulmanos a jihadistas estrangeiros dizendo que isso prova o "extremismo" de um movimento que o governo acusa de ser liderado por militantes ligados à al Qaeda. "Se desejos fossem cavalos, os extremistas na União das Cortes Islâmicas já teriam atacado Adis Abeba", disse o porta-voz do ministério do Exterior, embaixador Solomon Abede, à Reuters. "Essa declaração apelando a soldados muçulmanos estrangeiros para ajudá-los na guerra contra a Etiópia prova seu comportamento extremista." Os muçulmanos tomaram o poder em Mogadíscio e numa faixa do sul da Somália em junho, desafiando a aspiração do governo interino, apoiado pelo ocidente, de restaurar o poder central pela primeira vez no país desde a derrubada do ditador militar em 1991. O conflito desta semana começou após o fim do prazo, na terça-feira, dado pelo Conselho das Cortes Islâmicas da Somália (SICC, na sigla em inglês) às tropas etíopes que protegem o governo para sair do país ou enfrentar a guerra. Neste sábado, a União Africana uniu-se à ONU e ao Ocidente condenando o conflito e pedindo que os dois lados retomem as negociações de paz. O SICC acusa a Etiópia, de governo cristão e aliada dos EUA na guerra ao terrorismo, de invadir a Somália e diz que vai fazer a guerra santa contra o poder dominante do Chifre da África. Washington diz que os muçulmanos são liderados por uma célula da al Qaeda, o que o movimento religioso militar nega.

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