Somália vai promover conferência de reconciliação nacional

O presidente da Somália concordou nesta segunda-feira em promover uma conferência de reconciliação nacional para tentar pôr fim a 16 anos de anarquia neste país devastado pela guerra, abrindo o caminho para o envio de soldados de paz africanos. Depois de uma pressão intensa dos EUA, da União Européia (UE) e da Organização das Nações Unidas (ONU) para a realização de conversações com a participação de todas as partes, o presidente Abdullahi Yusuf disse que seu governo quer negociar, apesar da oposição de membros de seu governo. Falando aos jornalistas na reunião de cúpula da União Africana em Addis Abeba, Etiópia, o secretário-geral da ONU, general Ban Ki Moon, disse que as conversações devem incluir os líderes moderados do movimento islâmico que havia ameaçado controlar a Somália e tinha confinado o governo interino a uma pequena cidade do interior. O sinal verde de Yusuf para uma conferência de reconciliação nacional foi um elemento essencial para garantir o apoio financeiro e logístico dos EUA e da UE, a fim de ajudar no envio de uma força de paz da União Africana, com 8 mil homens. Estão em jogo US$ 20 milhões da UE e US$ 40 milhões dos EUA, a serem destinados para a força de paz.Os governos africanos também querem que sejam realizadas conversações para discutir a reconciliação antes de começar a enviar soldados. O governo de Yusuf precisa que os soldados de paz ajudem a manter a ordem, uma vez que a Etiópia, que contribuiu para que seu governo retomasse o poder de fato, começou a retirar seus soldados depois de derrotar o movimento islâmico rival. "Gostaríamos de negociar com todos os somalis que querem a paz, mas não podemos negociar com aqueles que querem a violência e o terrorismo", disse hoje Yusuf nos bastidores da reunião de cúpula, à qual comparecem 35 líderes africanos. "A força de paz da União Africana virá logo", acrescentou. Crescem os temores de que o país possa novamente entrar em guerra civil sem uma força de paz ou conversações de reconciliação. Mas muitos integrantes do alto escalão do governo somali se opõem às conversações porque temem que seus cargos possam ser cedidos a líderes islâmicos, como uma maneira de obter apoio para o governo. Desde que o movimento islâmico foi expulso, a violência entre as facções se tornou de novo rotina na vida do dia-a-dia em Mogadiscio, capital somali, aumentando os temores de que o tênue poder do governo não seja suficiente para salvaguardar esta nação violenta.

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