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Somália vive a ameaça de uma nova guerra civil

A capital da Somália, Mogadíscio vive nesta terça-feira momentos de grande tensão diante do avanço da milícia radical islâmica em meio a temores sobre possibilidade de que volte a estourar uma guerra civil na Somália.A União de Tribunais Islamitas, que desde o início de maio vem ganhando posições de Mogadíscio que estavam em poder dos "senhores da guerra", já controla quase toda a capital, e tem planos de estender sua luta para além da cidade.O responsável por um dos tribunais, Moalim Hashi Mohammed, disse nesta terça-feira que a intenção de seus milicianos agora é avançar em direção a Jawhar, 90 quilômetros ao norte de Mogadíscio, onde se refugiaram alguns "senhores da guerra".Este povoado era sede de várias organizações internacionais que prestam assistência na Somália, que nos últimos dias transferiram seus funcionários para outras cidades, diante da possibilidade de os combates chegaram ao local.A Aliança para a Restauração da Paz e Contra o Terrorismo, criada em fevereiro por vários "senhores da guerra" para resistir ao poder dos muçulmanos, perdeu quase todas as suas posições em Mogadíscio, mas ainda tem algum poder de mobilização.Protestos Milhares de pessoas se reuniram neste terça-feira no estádio Conis, no norte de Mogadíscio, para expressar sua oposição aos tribunais islâmicos e apoiar os "senhores da guerra" Muse Sudi Yalahow e Bashir Rage Shirar, dois dos mais importantes da cidade."Os tribunais são clãs que se escondem sob a bandeira do Islã. Estão atacando nosso território tradicional, e temos que defender nossa terra", afirmou Yalahow durante o ato. "São terroristas e o que querem piorar a imagem do Islã",acrescentou.Em uma tentativa de acalmar a situação, dirigentes políticos do clã Mudulood, ao qual pertencem os dois "senhores da Guerra", reuniram-se na noite da segunda-feira com o presidente da União de Tribunais Islâmicos, Sheikh Sharif Sheikh Ahmed.No entanto, ao final da reunião, os políticos do clã Mudulood disseram em comunicado que se as cortes islâmicas não retirarem seus milicianos de vários pontos de Mogadíscio em 24 horas, "acontecerá uma guerra civil como a dos anos 90".Os políticos do clã mais poderoso de Mogadíscio disseram que, se isso acontecer, a capital voltará a ser dividida pela "linha verde" que separava os dois grupos mais importantes da cidade na década passada.Desde em 1991, quando o ditador Muhammad Siad Barre foiderrubado, a Somália é cenário de lutas entre os diferentes clãs e "senhores da guerra". O fenômeno das cortes islâmicas é mais recente e surgiu devido à ausência de um poder centralizado.Guerra civilAs ameaças do clã Mudulood foram criticadas por políticos do clã Habargidir, por tentarem criar "uma nova tragédia na Somália"."Se surgir uma guerra civil, centenas de milhares de pessoas morrerão", disse o tenente-general Mohammed Warsame Dholey, do clã Habargidir."Peço aos homens do clã Mudulood que se desculpem por isso, porque se não eles serão responsáveis pelas conseqüências", completou o tenente-general.A resposta das cortes islâmicas não demorou. Um de seusdirigentes, Sheikh Abdulkadir Ali, disse que as ameaças dos Mudulood só visavam a enfraquecer o que chamou de "as conquistas do povo" de Mogadiscio."Se os homens do clã Mudulood querem paz e estabilidade, não deveriam defender os criminosos de guerra que foram derrotados nestes quatro meses de luta", acrescentou.Desde o início dos confrontos entre as cortes islâmicas e a Aliança para a Restauração da Paz e Contra o Terrorismo, cerca de 350 pessoas morreram e outras 1.500 ficaram feridas, a maioria civis.

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